“Descobri da pior forma: com a morte de um filho”

Letícia Murta - Jornalista

iG Minas Gerais |

Descobri a trombofilia da pior forma: a morte de um filho, com 38 semanas de gestação. Depois da dor e do diagnóstico que não me satisfez, o de que o cordão umbilical estava enrolado no bebê, investiguei e descobri que tenho uma das mutações genéticas que causam a doença. Nunca tive problemas relacionado à coagulação. Ocorre que, na gestação, o sangue naturalmente fica mais coagulado e portadoras de trombofilias têm uma tendência a desenvolver coágulos, que podem causar abortos recorrentes, descolamentos de placenta, pré-eclâmpsia, restrição de crescimento fetal e óbito fetal tardio. Os exames não são obrigatórios no pré-natal e muitas só descobrem com perdas. No meu caso, o que agravou foi a falta de monitoramento. Pelo avançado estado gestacional, meu filho poderia ter nascido sem grandes riscos. Medidas preventivas podem ser tomadas. Uma delas é a ultrassonografia com doppler, que mede a pressão das artérias que irrigam o neném. Outras são exames de coagulação. Agora, a minha luta é pela inclusão da obrigatoriedade desses procedimentos e pela divulgação da doença, para evitar que outras mulheres sofram o que sofri.  

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