Metallica repete a dose com disco duplo gravado ao vivo

Trilha sonora do filme homônimo, álbum traz poucas novidades do que a banda já mostrou

iG Minas Gerais | fabiano fonseca |

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Ineditismo? O baterista Lars Ulrich
Registros ao vivo do Metallica acompanham a discografia da banda norte-americana desde o início dos anos 1990. A gama é ampla, com CDs como “Orgullo, Pasión y Gloria: Tres Noches en la Ciudad de México” (2009) e “Quebec Magnetic” (2012), só para mencionar alguns mais recentes. “Metallica Through the Never” não foge ao roteiro, apesar de um detalhe: trata-se da trilha sonora do filme homônimo da banda, lançado recentemente, também em 3D. Gravado em duas apresentações no Canadá, o álbum duplo não traz novidades aos fãs da banda – algo até justificável para um peso pesado do heavy metal mundial, acostumado a lançamentos quase anuais de suas turnês pelo globo. A não ser o fato de ser vendido como uma trilha sonora, o repertório ali é (quase) o mesmo do de outros discos ao vivo do grupo. Mas Metallica é Metallica e algumas faixas demonstram a força do grupo no palco. James Hetfield (vocal e guitarra), Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammet (guitarra) e Robert Trujillo (baixo) fazem grandes shows, é fato. E para quem tem mais de 30 anos de estrada, o repertório de hits facilita qualquer compilação, seja ao vivo ou de estúdio. Alguns deles estão em “Through the Never”. No disco 1, por exemplo, a pancada corre solta numa sequência que vem com as nervosas “Creeping Death”, “For Whom the Bell Tolls”, “Fuel” e “Ride the Lightning”. O fechamento deste primeiro álbum garante o destaque: “Wherever I May Roam” soa sóbria, mas enérgica, sem aqueles desgastes comuns a artistas de longa data, que derrapam nos próprios limites físicos. O disco 2 destoa do primeiro, mas negativamente. Por si só, a sequência do álbum 1 mencionada antes já reforça o aspecto “destoante” – um tanto covarde, eu sei, pois se tratam de três clássicos engatilhados entre quatro canções. Tudo bem. À exceção de “Cyanide” (que abre o disco) e da clássica e sempre perigosa “Master of Puppets”, as versões de “Enter Sandman”, “Battery”, “Nothing Else Matters”, dentre outras, não trazem nada demais do tanto já visto e escutado do Metallica. Lembrando: Metallica é Metallica! Banda de discografia ampla, repertório forte, clássicos do metal, e um grupo que entende como poucos de palco. Mas “Through the Never” se justifica mesmo por acompanhar o trabalho cinematográfico, por se tratar de uma trilha. Soa oportuno um lançamento assim, se não fosse obrigatório – já pensou num filme de uma banda, ou um longa musical, sem uma trilha? Agenda “Trough the Never”. Metallica. UNiversal. R$ 43, em média.

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