Fórmula certa para a música

Realizado em SP, no sábado, Planeta Terra se reafirma como um festival eficiente e traz shows memoráveis de Beck e Blur

iG Minas Gerais | thiago pereira |

T4F/DIVULGAÇÃO
Multifacetado. Beck fez apresentação histórica, com mistura de hits, rock e citações bem pops
O festival Planeta Terra, que aconteceu no último sábado em São Paulo, segue sendo o festival mais “fácil” do calendário de grandes eventos musicais brasileiros. A fórmula é simples e eficiente: um dia de duração, um espaço adequado (nesta edição, o Campo de Marte, meio feioso, mas sem comprometer), um público que equilibra bem o aspecto “balada” com fãs realmente interessados nas atrações e um respeito ao público maior que o habitual, com uma estrutura decente. Ele é fácil também porque, quem ficou horas fritando sob o intenso (e raro) sol da capital paulista no último fim de semana, pôde presenciar uma gama de shows bastante aprazível, simpática e eficiente. Apenas a falta de graça e musicalidade apresentada por Clarice Falcão, ou o barulho mal resolvido dos britânicos Palma Violet destoaram da programação. The Roots, dos Estados Unidos, e o carioca B Negão fizeram apresentações gêmeas, em qualidade e conteúdo, trafegando por sabores similares da black music (funk, soul) mas cativando o público em seus denominadores comuns, o rock. Os escoceses do Travis aproveitaram o baixo coeficiente roqueiro, o sol que começava a se pôr e um público interessado para espalhar suas ótimas baladas na ambiência correta. “Side”, “Sing”, “Driftwood” e outros hits foram cantados pelo Mr. Simpatia do festival, o vocalista Fran Healy. Um ótimo show, discreto e sereno, que deu lugar à uma certa histeria causada por Lana Del Rey e seu público. Acompanhada de um quarteto de cordas e vestida em um angelical vestido, lembrando uma jovem madona (a santa, mas, se bem que...), ganhou em troca a devoção dos fãs, que se deliciaram em hits como “Blue Jeans” e “Born To Die”, sem se importar com a limitadíssima extensão vocal da garota. Pena que esse mesmo público não mudou de palco, para ter uma aula de música pop com Beck. Louvado como merece pela audiência reduzida, ele mostrou, durante toda a apresentação, porque é um dos mestres de sua profissão. Logo na abertura, com “Devil’s Haircut”, um som perfeito de guitarra instruía uma performance incendiária do músico, que não economizou em hits como “Loser” e “Black Tamborine”. Teve espaço ainda para citações à Michael Jackson, Soft Cell, soul lânguido, esquisitices dançantes. Nos rocks, ele apenas mostrou que o som de garagem, tão celebrado em bandas como o Black Keys, é só uma pequena parte do que ele é. Se muitos se perguntavam que tipo de show o multifacetado Beck faria no festival, a resposta foi simples: uma apresentação perfeita, histórica. O Blur teria que suar muito para garantir o status de atração principal. E Damon Albarn e companhia suaram. Entraram no palco completamente pilhados e saíram espalhando às baciadas grandes canções que o Blur tem. Difícil destacar grandes momentos em um show que, a despeito de certa apatia da plateia, talvez cansada da maratona sonora do dia, não perdeu o pique em nenhum momento. Mas a hínica “Tender” arregimentou um emocionante coral no Campo de Marte. E a infernal “Song 2” levou balzaquianos a dançarem feito punks adolescentes. Inesquecível para as retinas e os quadris. E o Planeta Terra segue provando que o fácil às vezes é até mais difícil de fazer, como uma boa canção pop. Mas a satisfação é garantida.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave