Da simplicidade e sua beleza

Centro Cultural do Banc o Brasil apresenta mostra com 500 obras do artista plástico mineiro Amilcar de Castro

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

DENILTON DIAS / O TEMPO
Diálogo. Salas apresentam interação entre as obras
Traços simples que dão vida ao belo e à tentativa de capturar o mundo pela arte representam o conjunto de obras do mineiro Amilcar de Castro (1920-2002). O artista plástico faz parte da história da arte contemporânea brasileira por ter inventado uma técnica para esculturas, por fazer parte do movimento neoconcreto e, principalmente, pelo esmero com que se dedicou à arte. O resultado de seu percurso foi uma ampla produção de esculturas, gravuras e pinturas, e até mesmo, de poesias. Grande parte do conjunto das obras de Amilcar compõe a exposição “Amilcar de Castro – Repetição e Síntese”, que estará aberta para visitação no Centro Cultural Banco do Brasil a partir de quarta-feira, 13, até 27 de janeiro. Durante esse período, 500 obras de Amilcar de Castro, vindas do Instituto Amilcar de Castro e das coleções particulares de Márcio Teixeira e Allen Roscoe, estarão expostas no hall, no pátio interno e, maioritariamente, no terceiro andar do prédio. Quem teve oportunidade de conferir a última exposição da instituição, “Elles: Mulheres Artistas na Coleção do Centro Pompidou”, passou pela experiência de percorrer diferentes salas do prédio para visitar uma única exposição. Essa experiência gera uma sensação labiríntica e exploratória que continua nesta nova mostra de arte. A cada “entrar de sala”, as famosas esculturas de aço e as – não menos importantes – esculturas de madeira são reveladas juntamente com as pinturas abstratas, gravuras e desenhos inéditos. No final do trajeto sugerido, há poemas escritos pelo artista. Essa mistura de diferentes peças de Amilcar em um mesmo espaço fazem parte do cerne da exposição e ilustram o objetivo curatorial. “Buscamos mostrar os grupos de peças para vermos a obra de Amilcar como um todo orgânico, como um corpo só”, comenta o curador da exposição Evandro Salles, que completa: “O impacto e representatividade de ver um conjunto de esculturas reunidas é muito diferente de quando você vê uma escultura sozinha”, compara. Apesar da versatilidade artística, são as esculturas de Amilcar de Castro que desempenham papel fundamental na vida profissional do artista por representarem a inovação criada por ele: a técnica “corte e dobra”. Desde 1950, Amilcar começou a trabalhar com chapas planas de aço e lidava com elas como se fossem meras folhas de papel. Porém, para dobrá-las de forma a gerar a sensação de leveza, ele precisou inventar essa técnica que entrou para história da arte moderna contemporânea. “Dentro da escola da escultura foi a invenção dessa técnica que o celebrizou. Ele a utilizou desde a primeira escultura abstrata que criou, intitulada de ‘Estrela’ (que está entre as obras expostas), até o final de sua vida”, comenta Evandro. Para o escritor e crítico de artes plásticas Ferreira Gullar, as esculturas de Amilcar mostram que a potencialidade da técnica criada por ele está na transformação de coisas simples em belas. “A partir de uma placa de metal ele conseguiu criar nas esculturas uma terceira dimensão por meio do corte. É magnífico”, afirma o crítico, que também discorre sobre a façanha dele em não transgredir o espaço das obras: “Ele conseguiu manter um posicionamento ético em relação aos volumes da escultura”, conclui. Amigo de Amilcar de Castro, Ferreira Gullar trabalhou com ele durante muitos anos na extinta Rede Manchete. “Todos os dias pegávamos ônibus juntos para o trabalho e conversávamos muito”, relata o crítico. Depois que o artista retornou para capital mineira o contato tornou-se esporádico, porém a admiração de Ferreira Gullar se manteve intacta e, por isso, consegue discorrer com facilidade e afeição sobre o trabalho do artista. “Ele é um exímio escultor que apresenta grande coerência em seu trabalho”. Agenda O quê. Exposição “Amilcar de Castro – Repetição e Síntese”. Quando. De quarta-feira, 13, a 27 de janeiro – aberta para visitação de quarta a segunda-feira, das 9h às 21h Onde. Centro Cultural Branco do Brasil (praça da Liberdade, 450, Funcionários) Quanto. Entrada franca

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