Entre o churrasco e as cachoeiras, cubano cogita ficar no Brasil

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Em pouco mais de um mês em Minas Gerais, enquanto alguns médicos cubanos se ambientam com a língua portuguesa e o tempero mineiro, outros já se sentem praticamente em casa e cogitam até a possibilidade de permanecer no Brasil após o término do contrato com o programa Mais Médicos. Morador de um hotel ao lado do posto de saúde de Pingo D’Água, o médico Luis Enrique Cintra González,47, já se sente “meio mineiro”. Enturmado com os funcionários do posto de saúde, ele preferiu comemorar mais um ano de vida, na quarta-feira passada, 6, com um churrasco, em vez do tradicional bolo de aniversário. “A comida mineira é a melhor do Brasil para mim. O churrasco de vocês é sem igual, isso que eu queria. Tenho descoberto várias coisas, quem sabe não arrumo até uma namorada para ficar no Brasil?”, brinca o médico, que é separado e deixou a filha de 13 anos em Cuba. Hóspede em um hotel em Antônio Dias, a médica Alina Antônia Ortega, 48, aproveita o horário fora do expediente para andar de bicicleta e praticar a conversação do português, mas principalmente para conhecer as cachoeiras de Antônio Dias. “Até agora conheci apenas duas que ficam pertinho da cidade. Elas são praticamente um remédio de tão relaxantes. É apaixonante. Só o que achei estranho foi o feijão (tropeiro) de vocês, cheio de coisas que nunca vi”, diz a cubana. Mais recatado, o médico Leonardo Ladea Ernandes, 43, chega à pensão da dona Conceição pouco depois das 17h, após o expediente no posto de saúde da comunidade de Lagoa do Pau, em Jaguaraçu. Instalado em um quarto com apenas uma cama de solteiro e uma cômoda simples, o médico estuda diariamente a língua portuguesa e aproveita o tempo livre para falar com a família, por meio da internet ou por um telefone celular. Apesar de a prefeitura da cidade prometer uma casa para o médico morar em um mês, ele cogita não se mudar da pensão. “Aqui não me sinto tão sozinho e tem sempre pessoas dispostas a me ajudar. A verdade é que as pessoas dessa pensão viraram minha família”, disse.

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