O craque é o coletivo

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Se o Cruzeiro não for campeão hoje, será nas próximas rodadas. Outros grandes clubes, com elencos mais caros e considerados favoritos no início da competição, decepcionaram. Apenas o Atlético tem uma boa justificativa, a conquista da Libertadores. Méritos para outras equipes, de quem se esperava pouco, como Goiás, Vitória e, principalmente, Atlético-PR. Cruzeiro e Atlético são os grandes times brasileiros do ano. No início do Brasileirão, achava que faltava ao Cruzeiro um fora de série, como foi Alex em 2003. Não foi necessário. O time atual possui também um craque, o coletivo. Com isso, todos os jogadores evoluíram, principalmente Everton Ribeiro, o melhor do campeonato. Outros destaques foram Fábio, Dedé, Nilton e Ricardo Goulart. Os outros também atuaram bem. Pensava que Everton Ribeiro era apenas um meia habilidoso. Ele é muito mais que isso. Tem muita mobilidade e criatividade, além de participar da marcação. Deu passes decisivos e fez muitos gols, alguns belíssimos. Outra grande virtude do Cruzeiro é a diversidade. O time, sem esquecer a marcação, faz gols de todos os jeitos, pela direita, pela esquerda e pelo centro, pelo alto e pelo chão, de tabelas, de triangulações e de lançamentos longos, de finalizações de dentro e de fora da área. O time não depende de um único artilheiro. Em vez de os laterais correrem e cruzarem para a área, como faz o Grêmio, para contar com a sorte de a bola chegar a um companheiro, o Cruzeiro forma duplas pelos lados, que trocam passes e envolvem o marcador. Aí, a bola é passada para alguém finalizar. Marcelo e a diretoria contrataram bem. O Cruzeiro tem dois bons times, quase do mesmo nível. Apenas Fábio e Everton Ribeiro fazem falta. Marcelo usou muito bem o elenco. Substituiu e poupou jogadores na hora certa. Mesmo quando a troca era por motivos técnicos, ele passava aos jogadores e à imprensa a mensagem de que a substituição era para poupar o atleta. Não soube de nenhum jogador descontente. Não vou dizer que o tranquilo e equilibrado Marcelo usou de uma sabedoria mineira, pela mesma razão que detesto o chavão de rotular as pessoas que têm dúvidas de mineiros, de ficarem em cima do muro. Mineiro não pode ter bom senso nem dúvida. Só os ignorantes, os extremistas e os prepotentes, que se acham os donos da verdade, têm certeza de tudo. Há pessoas de todos os tipos em Minas Gerais, nos outros Estados e em todo o mundo. Marcelo, atento durante as partidas, ajuda a desmistificar os absurdos conceitos de que técnico bom é o que grita e fica agitado na lateral do campo, que pressiona árbitros e auxiliares, que é mal educado nas entrevistas e que nunca dá explicações técnicas e táticas por achar que ninguém entende de futebol. Explicações Para quem não leu em uma outra coluna, repito. Não aceitei o convite para ser embaixador de Belo Horizonte na Copa, ao lado de outros jogadores que atuaram em Minas Gerais e que participaram da Copa do Mundo, porque, como colunista, preciso ter toda a liberdade para criticar e elogiar a Fifa e a administração do Mundial. Além disso, acho absurdo o poder que a Fifa exerce sobre o país. Apesar de entender o critério de escolher para embaixadores somente os atletas que já participaram de uma Copa, senti a ausência de Dirceu Lopes e de Zé Carlos, dois dos maiores jogadores da história do Cruzeiro e do futebol brasileiro. Mereciam ser exceções. Além disso, Dirceu Lopes participou, em 1969, das Eliminatórias para a Copa de 1970. Já era Copa do Mundo.  

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