O aconchego voltou para casa

Contrapondo as estéticas clean e industrial, tão em alta no decór recentemente, o tricô veio trazer o conforto de volta ao lar

iG Minas Gerais | Deborah Couto e Silva |

divulgação regina misk
Poltronas criadas pela estilista e designer Regina Misk
O visual industrial e a tecnologia invadiram a decoração faz tempo. Mas quando se trata da nossa casinha o que a gente quer mesmo é aconchego. E é em busca dele que os designers andam revestindo pufes, poltronas, almofadas e tudo mais que vem pela frente com os pontos do tricô, o mais novo darling da decoração afetiva. “Como o mundo anda todo computadorizado, tudo funciona pela internet, a tecnologia invadiu também a casa da gente. Agora está acontecendo um movimento contrário, uma retomada da busca por peças mais artesanais como paninhos, caminhos de mesa, crochê... O tricô vem nessa esteira”, conta o arquiteto Marcos Nobre. “Trata-se de um retorno às nossas memórias afetivas, à casa da avó. Coisas que nos trazem aconchego, mesmo”, diz Marcos. O tricô, no entanto, justamente por trazer aconchego, nos remete a um clima mais frio, e nos faz lembrar as decorações escandinavas, aquelas com poucas cores e muitas texturas, um decór de extremo bom gosto. O trabalho, porém, é bem versátil e pode se adaptar às nossas mudanças climáticas. “A linha no lugar da lã é uma ótima solução para temperaturas mais altas”, indica Marcos. “Também vale fugir de tons terrosos e investir no branco ou nas cores mais vivas”, diz o arquiteto. A designer de interiores e especialista em peças artesanais Glauciene Duarte concorda. “Não necessariamente o tricô precisa ser feito em lã grossa. Ele pode ser executado em lãs mais finas ou mesmo em linha e combina com qualquer estilo de decoração”, diz. “Tudo depende da combinação de peças e do gosto de quem vai utilizá-las. Se a pessoa tiver cabeça jovem, pode lançar mão de cores mil. Se for mais conservadora, deve ater-se a tons mais neutros ou terrosos”, afirma. Da moda para a decoração, da decoração para a arte A estilista mineira Regina Misk sentiu a necessidade de desenvolver um trabalho mais autoral. Resolveu então investir seu talento na decoração. “As pessoas sentem falta de uma certa feminilidade ao decorar seus ambientes, e eu também sentia. Como trabalho com moda, comecei a frequentar São Paulo e a ir a antiquários. Já tinha um ateliê de tricô e resolvi transferir o know-how para o mobiliário. Assim, minhas peças partem de móveis que já existem. Geralmente uso peças do meio do século e crio em cima delas”, conta Regina, que atualmente mantém uma parceria com a marca Prodomo. Na loja as peças são novas, fabricadas pela própria marca. “A personalidade e um trabalho exclusivo, além da afetividade são o que as pessoas mais buscam quando procuram por um móvel meu”, diz Regina, que trabalha, além da parceria, sob encomenda. O design afetivo também é o mote das europeias Christien Meindertsma e Naomi Paul e da americana Claire Anne O’Brien. As três artistas plásticas têm em comum o uso da técnica em suas obras para a criação de objetos com características fortemente pessoais. Como resultado, saem trabalhos inusitados, porém utilitários e muito aconchegantes.

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