Expor ou não expor os filhos?

Não revelar muitos dados pessoais é se prevenir contra os mal-intencionados

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

DENILTON DIAS / O TEMPO
Com critério. Juliana e a filha, Helena, têm uma relação amigável com a web, mas sem expor dados como endereço de casa ou da escola
Morando em Florianópolis, longe da família e dos amigos, a produtora audiovisual mineira Ana Carolina Moreira, 26, criou uma página no Facebook para que, mesmo à distância, as pessoas possam acompanhar o crescimento de sua filha Sofia, 2 meses. Decidiu fazer uma página aberta, para que todos que se interessem pelo dia a dia do bebê tenham a chance de se sentir mais perto dela e da família.   Na página, ela coloca apenas materiais selecionados. “Agora ela é um bebê, mas tenho que pensar nessas fotos no futuro. Não compartilho nada que possa prejudicá-la”. Assim, ficam de fora fotos de Sofia sem roupa e em locais que identifiquem o endereço, por exemplo. Esse cuidado é fundamental para evitar que Ana Carolina e a família se envolvam em situações desagradáveis ou perigosas por conta da internet. Muitos pais de bebês e crianças pequenas compartilham coisas demais sobre os filhos e acabam dando chance para que pessoas mal intencionadas se apropriem desse material. “O normal é não ter maturidade para fazer configurações de privacidade para restringir acesso de fotos a terceiros. O brasileiro, de uma forma geral, erra muito porque não define previamente uma estratégia para administrar perfis nas redes sociais”, afirma o advogado especialista em direito digital Alexandre Atheniense. Consequências . Segundo o advogado, os problemas causados por uma exposição sem critérios podem ir de uma perseguição virtual até uma abordagem aos filhos sem que os pais tenham controle. Dependendo do que é compartilhado – nome da escola, endereço de casa, horários de aulas, por exemplo – “uma pessoa tem todos os elementos para montar uma história. Pode se passar por íntimo e montar um golpe para alcançar objetivo escuso”, alerta Atheniense. A imagem pode ser utilizada ainda para diversos fins sem a devida autorização dos pais da criança. “A preocupação existe, mas para isso existe a lei. Até hoje, nunca tive problemas e, se algum dia tiver, eu fecho a página e uso as medidas legais necessárias”, afirma Ana Carolina. Os pais que compartilham muitos materiais sobre as crianças devem se preocupar com a influência que isso pode ter na mente dos filhos. “Se esses pais não conversarem com a criança e não derem limites, ela pode até desenvolver uma dificuldade de criar vínculos. Vai se admirar tanto que não buscará o afeto do outro”, alerta a psicóloga Suzana Veloso Cabral, que pesquisa crianças e mídia. Vantagens. Em vez de problemas, até o momento, a página no Facebook trouxe conhecimento para Ana Carolina. “A gente se enxerga nos comentários das outras mães que acessam o perfil”, conta. O espaço também é uma forma que Ana Carolina usa para ter mais tempo para si e para a menina. “Como moro longe da família, essa experiência me ajudou a dissipar um pouco a ansiedade das pessoas, pois posto uma foto da Sofia por dia e aplaco a necessidade delas de saberem o que está acontecendo”, conta. Fique atento Alerta . “Engenharia social” é a prática de cruzar informações de diversas fontes digitais para saber sobre a vida de alguém. Isso pode ser usado para aplicação de golpes.

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