Novos maus passos na telinha

Ator explica que não teme voltar a trabalhar como antagonista após o sucesso de seu papel em “Avenida Brasil”

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

Luiza Dantas/CZN
Marcello afirma que está se policiando ao máximo para não repetir algumas características do papel anterior
Depois das maldades exacerbadas de Max, de “Avenida Brasil”, Marcello Novaes acreditava que ia ficar um tempo longe dos vilões. Para sua surpresa, no entanto, foi convidado pelo diretor Ricardo Waddington para interpretar Kléber, o carrasco de “Além do Horizonte”. Na nova trama das sete, assinada pela dupla Carlos Gregório e Marcos Bernstein, o ator será o manda-chuva da fictícia cidade de Itapiré. “Ele é um comerciante e, por definição, quase um miliciano. Manda na polícia, nos moradores e tem envolvimento com coisas obscuras”, revela. Porém, a maldade do personagem ficará restrita à porta de casa. Entre quatro paredes com Keila, de Sheron Menezzes, Kléber será um pacato marido. “Ele se derrete por ela. É amor, é paixão, é pele, química”, garante. Interpretar um papel, aparentemente, com menos evidência depois de uma novela de grande sucesso como “Avenida Brasil”, não é problema para Marcello. “Em 26 anos de carreira na Globo, eu nunca disse não para nenhum personagem”, afirma. Para ele, só é possível viver um bom papel se tiver o respaldo de um texto bem construído. “‘Rainha da Sucata’ (1990), por exemplo, tinha o melhor elenco da época. Era chamado de ‘elenco bilionário’ e não fez esse sucesso todo. Eu dou o meu melhor sempre. Mas se Kléber vai ser tão marcante como Raí, de ‘Quatro por Quatro’, (1994) ou como o Max, só vendo o decorrer da novela”, compara. Depois da grande repercussão de Max, em “Avenida Brasil”, você não achou arriscado voltar à TV na pele de outro antagonista?   Eu acho que Max abriu as portas para mim como vilão. Mas não esperava que fosse acontecer tão rápido. Acreditava que ia voltar para o bonzinho, mocinho das comédias, que eu tanto fiz. Mas já que fui escalado, estou tendo cuidado para que em nada lembre o Max. Ao contrário do personagem anterior, estou construindo o Kléber mais contido, mais fechado. Nunca disse não para a Globo. Não ia ser agora que ia fazer isso.   Aceitando todos os convites que surgiram, não faltou uma autonomia artística? E como você lidou com os altos e baixos desses personagens que apareceram?  O motivo de nunca ter dito recusado não foi a falta de poder, autonomia e respeito para isso. Encaro isso como um trabalho como qualquer outro e, às vezes, vou ter de fazer o que é proposto. Eu vejo também os personagens todos como uma aposta, um risco. Não sabia que o Raí, de “Quatro por Quatro”, ia fazer tanto sucesso. Depois dele, interpretei papéis variados. Às vezes, o risco dá certo. Às vezes, não. Mas é sempre um aprendizado. Dou extrema importância a todos os papéis que desempenhei, grandes ou pequenos. Depois de um grande sucesso, a cobrança para repetir a boa repercussão é maior?  Com certeza! A cobrança do telespectador é a maior de todas. É mais um processo de fora do que uma coisa que parta de mim. Acredito que eu tenha as ferramentas para desempenhar um bom trabalho, mas não depende só de mim. Um bom personagem precisa de um bom texto. E como é estar em uma novela de dois autores estreantes?  A novela é muito ousada. Essa coisa de procurar a felicidade plena é um assunto místico e lúdico e, para funcionar, o telespectador precisa entrar na onda. “Além do Horizonte” é um risco, uma aposta, é trabalhar em cima de um ideal que a gente nem sabe se existe. Mas fico muito empolgado com essa inovação. Acho que já estava na hora da TV aberta se reinventar, se abastecer e procurar coisas novas. Os canais a cabo já fazem isso e já estamos perdendo muito espaço para eles. Acho a proposta incrível. Mas, se vai dar certo, só esperando para ver.

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