Contrato da Odebrecht com a Petrobras é investigado

Acordo de US$ 825 mi foi para serviços em dez países

iG Minas Gerais |

VALTER CAMPANATO-ABR
Ex-presidente. Contrato foi firmado na gestão de José Gabrielli
Rio de Janeiro. Um contrato, no valor de US$ 825,6 milhões, que a Petrobras fechou com a Odebrecht em 2010, está sendo investigado por suspeita de superfaturamento, segundo informações obtidas pela Agência Estado. Ainda em vigor, o contrato PAC SMS para serviços na área de segurança e meio ambiente em dez países incluiu pagamento, na Argentina, de R$ 7,2 milhões pelo aluguel de três máquinas de fotocópias; R$ 3,2 milhões pelo aluguel de um terreno próprio e salário mensal de pedreiro de R$ 22 mil nos Estados Unidos. O PAC SMS foi fechado na gestão de José Sergio Gabrielli e reduzido quase à metade neste ano, na gestão de Graça Foster. O corte de pelo menos US$ 344 milhões aconteceu após a auditoria da própria Petrobras ter visto irregularidades, segundo a Agência Estado. O Ministério Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (MPF) instaurou procedimento investigatório criminal em junho para apurar as infrações. Sobrepreço. A Odebrecht previu preços unitários muito acima daqueles praticados nos mercados dos dez países contemplados no contrato PAC SMS. Documentos obtidos pela Agência Estado mostram que na Bolívia, por exemplo, os preços foram inflados entre 9% e 1.654% e no Chile, entre 14% e 598%. Na Argentina, o sobrepreço médio foi de 95%. Os documentos mostram também que houve inclusão indevida de impostos na formação de preços nos Estados Unidos, Chile e Argentina, elevando o contrato em US$ 15 milhões. Mesmo antes do início dos trabalhos, 60% dos 358 projetos de segurança, meio ambiente e saúde (SMS) foram retirados do acordo. Mas o contrato não protegia a Petrobras e os valores dos projetos cortados foram incluídos sob outra rubrica (mobilização) e pagos. A lista de irregularidades no contrato de prestação de serviços da Odebrecht à Petrobrás começou antes da assinatura do acordo e incluiu o escopo dos serviços, composição de custos e condução da disputa. Entenda - Segundo documentos obtidos pela Agência Estado, a Petrobras e a Odebrecht assinaram contrato, de US$ 825,6 mi, para atuação em dez países. - Auditoria da própria Petrobras constatou superfaturamento de preços e a estatal cortou quase metade do contrato neste ano, por ver irregularidades. - MP abriu investigação, que corre sob sigilo. Não comenta Outro lado. A Agência Estado procurou a Petrobras e Gabrielli, que não comentaram. A Odebrecht negou irregularidades nos contratos e disse desconhecer questionamentos da auditoria da Petrobras.

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