Estudo evita que prática seja esquecida

iG Minas Gerais | Natália Oliveira |

A tradição de se benzer fica esquecida se as praticantes adoecem ou morrem ou quando as benzedeiras trocam de religião. É o caso de Mirtes Andrada, 92, que foi criada na religião católica e benzia desde os 20 anos, mas mudou para o espiritismo no ano passado. “Na minha religião atual, também é permitido benzer, mas como eu aprendi de um jeito diferente, de acordo com a crença católica, decidi parar com a prática”, contou a idosa, moradora da cidade de Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. A neta dela, Camila Andrada, 24, que mora próximo da casa de Mirtes, conta que vários moradores continuam indo até a casa da avó todos os dias, em busca da bênção. “Elas dizem que não estão encontrando outra pessoa para benzê-las. Eu mesma fiquei sem benzedeira, porque a outra que eu conhecia morreu”, contou. Incentivo . É com o intuito de evitar que a tradição de benzer caia no esquecimento que Maria das Graças Lins, professora de citoterapia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está fazendo um trabalho com alunos de escolas públicas de cidades que margeiam a Estrada Real, como Diamantina, no Alto Jequitinhonha, e Ouro Preto, na região Central do Estado. “Estamos realizando um trabalho com 20 alunos dessas cidades. Eles estão tendo contato com os benzedeiros e rezadeiros e aprendendo um pouco sobre essa tradição”, detalha a especialista. Ela explica que um grupo de professores e alunos vai anualmente a esses municípios para estudar a crença da cura com ervas, rezas e bênçãos.

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