Sem túnel, pedestre se arrisca

Passagem em frente ao metrô é ocupada por moradores de rua; sem opção, usuário vai para a avenida

iG Minas Gerais | ALINE LOURENÇO |

PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Risco. Moradores e usuários do metrô se recusam a usar túnel
Na frente da estação do metrô do Minas Shopping, no bairro União, na região Nordeste da capital, motoristas e pedestres disputam espaço na avenida. A negociação nem sempre é tranquila e quem passa à pé se arrisca entre os carros. Sob a avenida 2.332, endereço da estação, há um túnel subterrâneo para a passagem dos pedestres, mas o local foi dominado por moradores de rua que ali deixam seus pertences, como roupas e até um sofá onde passam a noite. Usuários do metrô e moradores da região reclamam da falta de segurança no local. O túnel foi feito pela construtora EPO, em contrapartida para instalar na região o empreendimento Center Minas, um complexo de lojas previsto para 2014. Segundo a prefeitura, o centro de compras foi considerado de alto impacto e, por isso, foram apresentadas pelo menos 11 condicionantes, relacionadas a melhorias no trânsito e meio ambiente. A empresa recebeu um prazo de um mês, após a aprovação do licenciamento, concedido em janeiro deste ano, para fazer a obra. As instalações foram concluídas em abril, mas, de acordo com a construtora, a inauguração será no dia 18. A reportagem, porém, esteve no local e constatou que as entradas do túnel já foram liberadas e moradores de rua aproveitaram para ocupar o espaço. Apesar de haver equipamentos de iluminação, eles não estavam funcionando. Não havia seguranças ou policiamento. “Eu até passaria aqui de manhã, mas de noite eu prefiro enfrentar os carros a entrar no túnel e não saber se vai ter alguém esperando para me assaltar”, justifica a balconista Juliana Alves, 32. O funcionário público Wagner Fonseca, 49, que passa todos os dias pela região para buscar a mulher na estação do metrô, concorda. “As entradas estão abertas, mas falta iluminação. Ninguém vai se arriscar a passar aqui se não tiver segurança. Por enquanto, o túnel é apenas um esconderijo para bandidos e abrigo para os moradores de rua”, diz. O TEMPO procurou a loja Leroy Merlin, que faz parte do empreendimento do Center Minas e está em funcionamento desde o início do ano. A loja reconhece que os assaltos são frequentes e informou que já alertou a prefeitura e a construtora sobre o problema. Manutenção Condição . Outra condicionante prevê que a EPO mantenha o túnel em condições de uso no período de licença, de quatro anos. Se não cumprir, a empresa pode perder o direito de funcionamento.

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