Baile eletrônico de debutante

iG Minas Gerais | Thiago Pereira* |

JORGE BISPO DIVULGACAO
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  Tradicionalmente, os 15 anos são comemorados com um baile de debutantes. No caso da 15ª edição do Eletronika, o que se celebra é a maturidade de um formato que certamente mudou a cara dos eventos musicais na cidade e que se traduz numa espécie de retorno às raizes experimentais do evento, como sinaliza a programação do festival que será realizado entre 28 de novembro e 1º de dezembro no teatro Oi Futuro Klauss Vianna.   “O Eletronika teve uma cara inicial, depois foi crescendo, em 2002, 2003, 2004. Essas três edições foram o auge do festival, atingindo um público grande”, relembra Marcos Boffa, diretor artístico do evento, junto com Aluízer Malab. “De uma certa maneira, ficamos prisioneiros desse crescimento. Agora estamos num momento muito confortável de fazer essa introspecção do festival, trazer para um espaço mais intimista, valorizando as produções brasileiras, e criar esse ambiente que é mais interessante para a troca, para o crescimento dos artistas e para o público busca coisas bem frescas”, argumenta.    Ou seja, o slogan histórico do evento, “um festival de novas tendências”, será exercitado com força máxima na edição deste ano. “O Eletronika é o festival mais antigo no calendário brasileiro, no que diz respeito à vanguarda, às pesquisas musicais”, lembra o curador Chico Dub. “A programação deste ano se pauta por isso: trabalhos que subvertem cânones e linguagens já estabelecidos, em diversos estilos, como o pop, a MPB, a própria música eletrônica”, diz.   O público poderá, portanto, entrar em contato com trabalhos francamente experimentais, como os shows dos grupos paulistas Elma e Passo Torto; o universo sombrio do carioca Bemônio, os sintetizadores vintage do pernambucano Grassmass; e estrangeiros como o inglês Demdike Stare e o alemão Jan Jelinek. O curador também destaca a presença do combo carioca Opala, liderado por Lucas de Paiva. “Um gênio, que montou esse projeto de synth-pop com a cantora Maria Luiza Jobim (filha mais nova do Tom). É o tipo de artista que me deixa muito curioso para saber o que ele estará fazendo daqui a cinco anos”, elogia.    A fértil produção mineira será representada pelo Constantina, que comemora dez anos (“Faremos um show que abrangerá nossa história, mas que também vai apontar a direção do que vem”, garantiu Daniel Nunes, baterista do grupo), e pelo encontro, inédito, entre Barulhista e Rafael Miranda, este último vindo de Poços de Caldas, citada por Dub como um dos polos mais criativos da produção experimental brasileira. Através da parceria com a SIMBIO, três coletivos de produção artística, MIR, Fósforo e 425crina! apresentarão trabalhos.    De certa forma são filhotes do Eletronika, prova do caráter formativo destes 15 anos do festival, artistas que, como plateia, assistiram e se inspiraram em atrações trazidas em outras edições do evento. “É da natureza do festival, todos deveriam ter isso em seus DNAs. Sobretudo os que têm lei de incentivo como mecanismo de captação. É um dever quase ético de atuarem como uma instância de formação”, defende Boffa.   *Especial para o Pampulha   Festival Eletronika Teatro Oi Futuro Klauss Vianna (av. Afonso Pena, 4.001, Cruzeiro). De 28 de novembro a 1º de dezembro. R$ 10 (inteira)  

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