Sem motivo para mudar

iG Minas Gerais |

A mais nova pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra um quadro de estabilidade em relação à popularidade de Dilma Rousseff e na avaliação de seu governo. Aponta também um avanço da petista de 7% na intenção de votos para as eleições do ano que vem e uma ligeira ascendência de Aécio Neves e Eduardo Campos, de 4% para ambos. Marina Silva, após se filiar ao PSB, mantém seus 22% de intenção de votos. Resumindo, tudo está como antes. Mantendo os números de hoje, seja qual for o cenário, a presidente já encerraria a disputa no primeiro turno. Um ano antes das eleições, porém, é desnecessário falar que qualquer aposta é mais do que prematura. Os números revelam que a acomodação das oposições e a falta de um discurso que seja mais objetivo e que vá ao encontro dos interesses da população, como o enfrentamento da violência e da corrupção, impedem ameaças maiores ao clã petista. Se Eduardo, Marina ou Aécio mostrassem claramente o que podem fazer para diminuir a violência, trazer o mínimo de paz para a população, impor uma discussão sobre o cumprimento das leis e reduzir a corrupção do país, a diferença para Dilma, seguramente, seria menor. Por outro lado, Dilma não estaria estagnada se mantivesse sua postura de início de governo de, pelo menos, tirar da linha de frente quem cometesse erros. A “faxina” que fez em seu primeiro ano de mandato lhe assegurou a popularidade nas alturas. Durou pouco sua determinação em não aceitar corrupção. A mesma pesquisa da CNT aponta que os campeões de preocupação da população brasileira são a violência, em primeiro lugar, com 91,5% das citações, e a corrupção, com 83%. Nem precisaria de pesquisa para constatar isso. Porém, até agora, nem oposição nem situação disseram como vão lidar com os dois temas. Os representantes do PT, PSB e PSDB falam o tempo todo em indicadores econômicos, inflação e no Mais Médicos. Alfinetam-se, acusando um ao outro de se promoverem através de propaganda extemporânea e outros métodos contestáveis, como se todos não estivessem no mesmo barco. A economia certamente será uma das mais importantes variáveis das eleições, mas o cidadão comum quer saber é se seus pais ou filhos chegarão em casa com segurança. Se ele poderá chegar e sair sem medo de se tornar vítima de infratores em saidinhas de banco. Se o dinheiro público vai continuar servindo para enriquecer quem entra na política para roubar e esculhambar a nação. O que foi apresentado até agora é desolador. Por isso, talvez, as variações nas pesquisas sejam irrisórias. Não há fatos novos. Falta aos futuros presidenciáveis tato para perceber os mais simples desejos de um povo à beira de um abismo.

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