Milho brasileiro na China

iG Minas Gerais |

A abertura de novos mercados é um indicador importante do desempenho de uma economia. A assinatura, nesta semana, de acordo para retirada de barreiras fitossanitárias chinesas sobre o milho brasileiro, sinaliza que estamos no caminho certo. O acesso ao mercado chinês é uma grande conquista para o nosso agronegócio. As importações de milho brasileiro daquele país ainda são pequenas, em grande medida devido às barreiras até então existentes. No ano passado, atingiram 80 mil toneladas e renderam US$ 18 milhões em divisas. Com o acordo, essa relação muda de patamar. A expectativa é que as vendas cheguem, nos próximos anos, a 10 milhões de toneladas e representem até US$ 2 bilhões para nossa balança comercial. A notícia é alvissareira para os nossos produtores, sobretudo neste momento em que lidam com um excedente do grão, que registra queda acumulada de 43% na Bolsa de Chicago nos últimos 12 meses. Minas é o quarto maior produtor do cereal no país. Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba concentram as principais plantações do Estado. Na esteira de um amplo processo de urbanização, a China passou de exportadora a importadora de milho desde a safra 2010/2011 e os volumes adquiridos no exterior têm crescido ano após ano. Na safra 2012/2013, o país importou 3 milhões de toneladas. O volume deverá saltar para 7 milhões na próxima safra a ser colhida em 2014. Boa parte dessa demanda agora será suprida pelo milho brasileiro. O acesso ao mercado chinês não é obra do acaso. Mostra que fizemos o dever de casa. Na última década, o empenho dos produtores, o avanço tecnológico e as políticas governamentais eficientes elevaram a produção no Brasil em cerca de 60%, superando a marca de 80 milhões de toneladas na safra 2012/2013. Além disso, vale destacar que a conquista do mercado chinês de milho é resultado ainda de um amplo processo de negociação entre altas autoridades dos dois países e representantes do setor produtivo. Os asiáticos em geral, e os chineses em particular, são conhecidos por ser hábeis negociadores. A derrubada das barreiras começou a ser desenhada em agosto deste ano, em Pequim, quando me reuni com os ministros Gao Hucheng, do Comércio, e Xu Shaoshi, presidente da poderosa Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma. Essas conversas foram determinantes para destravar o mercado de milho, mas exigiram, ainda, dois longos meses de negociação até o acordo final, conduzido pelo vice-presidente da República, Michel Temer, e pelo ministro da Agricultura, Antônio Andrade. O grande mérito desse acordo, no entanto, é dos produtores de milho. Do agricultor que investiu em tecnologia e elevou não apenas a produção, mas a qualidade do grão. Eles é que colocaram o Brasil em condições de suprir a demanda chinesa. A conquista da China mostra, mais uma vez, o agronegócio brasileiro dando exemplo de competitividade.

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