‘Competitividade industrial é prejudicada pelo câmbio’

Presidente do BNDES comenta piora do setor

iG Minas Gerais |

LEO FONTES / O TEMPO
Salvador. Locais que conseguiram expandir foram sustentadas por setores como produção de álcool
São Paulo. No mesmo dia em que o IBGE divulgou dados desanimadores sobre a produção industrial, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse ontem que a indústria brasileira perdeu competitividade após longos ciclos de apreciação cambial.   Ele lembrou que a participação da indústria no PIB caiu de 25% a 26%, no final do século passado, para 13% a 14% atualmente. “Após dois períodos longos de apreciação cambial, o primeiro de 1994 a 2000, provocado pela política de paridade e com juro lá em cima, e depois de 2005 a 2011, com a melhora extraordinária dos preços de commodities, com uma política de valorização do real e com economia crescendo, a percepção não foi clara dos impactos na indústria.” Coutinho afirmou que é preciso lutar para recuperar a capacidade competitiva da indústria e disse ser necessária uma política industrial de longo prazo, independentemente de problemas conjunturais, como a variação cambial. Para ele, “felizmente a tendência da taxa de câmbio daqui para a frente será de depreciação do real”, diante do cenário de redução na liquidez e aumento nos juros do mercado norte-americano. Dados do IBGE. Segundo as informações divulgadas ontem pelo IBGE, mais da metade das regiões do país – oito, dentre 14 – tiveram recuo na produção industrial. As piores quedas foram em Pernambuco (-8,2%), no Paraná (-2,4%) e no Ceará (-2,2%). Minas Gerais registrou avanço de 2,1%. Apesar disso, a produção industrial subiu 0,7% em setembro em relação a agosto – um avanço “pouco consistente”, na avaliação do técnico da coordenação de Indústria do IBGE, Fernando Abritta Figueiredo. Nas seis regiões que conseguiram expandir a produção em setembro, o aumento foi sustentado pelos setores de bens de capital (principalmente caminhões e máquinas agrícolas), de consumo duráveis e de refino e produção de petróleo e álcool. Mesmo assim, o resultado foi considerado insatisfatório para analistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.

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