Ato público reúne cidades mineiras em defesa das Apaes

Manifestação foi realizada na Praça Dom Carlos Carmelo Mota, conhecida como Praça da Feirinha, em Sete Lagoas, e contou com a presença de cerca de 5.000 pessoas, de acordo com estimativas da Polícia Militar

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Osvaldo Ramos/O Tempo
Reunião aconteceu em Sete Lagoas
Paulo Ásino tem 37 anos e é portador da síndrome de Down. Há 30 anos, ele frequenta a Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Pedro Leopoldo, onde faz aulas, oficinas e recebe apoio psicológico e faz sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. “Eu estudo matemática, estou aprendendo a fazer contas de somar e diminuir e já vou me formar na sétima série. Gosto da Apae muito mesmo”, declara Paulo. É para que Paulo e tantos outros brasileiros com necessidades especiais possam continuar tendo esse tipo de apoio que mineiros de várias cidades se reuniram neste sábado (9) em Sete Lagoas, na região Central do Estado, no ato público “Minas Abraça as Apaes” em defesa da instituição. As instituições encontram-se ameaçadas pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que foi aprovado pela Câmara e aguarda votação do Senado. A manifestação foi realizada na Praça Dom Carlos Carmelo Mota, conhecida como Praça da Feirinha, e contou com a presença de cerca de 5.000 pessoas, de acordo com estimativas da Polícia Militar. Dentre os presentes, além representantes das associações, pais e alunos das Apaes, estavam também políticos de Minas Gerais que apoiam a causa. “A Apae é uma causa do povo mineiro, sinônimo de carinho, de apoio à população. O que se vê neste momento é uma atitude insensata por parte do Ministério da Educação, daí a nossa indignação, por isso estamos aqui em Sete Lagoas reafirmando nosso compromisso com a manutenção das associações”, declarou o presidente da mesa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Dinis Pinheiro (PP). O evento teve também a apresentação de fanfarras de algumas associações, além de distribuição de picolés e viseiras para os participantes. A realização do ato foi uma parceria entre a Apae de Sete Lagoas e a prefeitura da cidade, que abraçou a causa. “Nós temos a consciência de que profissionais preparados podem auxiliar muito a integração de pessoas com problemas dentro da sociedade. Quanto mais conseguirmos integrar as crianças, melhor. Mas há crianças que não devem ser integradas, sob pena de seres discriminadas e isso vir a provocar um problema maior em sua vida. Enxergando por esse lado, aderimos à mobilização da Assembleia Legislativa e nos mobilizamos em prol de uma causa que achamos que merece atenção especial”, defende o prefeito, Márcio Reinaldo (PP). As Apaes de todo o Brasil atendem, atualmente, cerca de 250 mil pessoas com deficiência intelectual e múltipla e têm uma importância central na vida dessas famílias. “A Apae atende a pessoa com deficiência com carinho, sem exclusão, sem diferença de cor e de raça. Ela é tudo na nossa vida”, revela Cleusa dos Santos Borges, mãe de Paulo e presidente da Apae de Pedro Leopoldo. Discussão A polêmica envolvendo as associações começou depois que o projeto de lei do Plano Nacional de Educação (PNE) seguiu da Câmara dos Deputados para o Senado. A retirada de apenas uma palavra da Meta 4 do plano colocou em risco a existência das Apaes. Pelo texto original, enviado pelo governo federal ao Congresso, a Meta 4 fala na universalização do ensino para a população de 4 a 17 anos “preferencialmente na rede regular de ensino”. Entretanto, no Senado, a palavra “preferencialmente” foi suprimida do PNE. Com isso, todas as crianças e jovens teriam que estudar em escolas regulares, incluindo portadores de necessidades especiais. Atualmente, os pais desses estudantes podem escolher entre matriculá-los nos colégios regulares ou naqueles que oferecem um tratamento diferenciado, como as Apaes. Importância Em Sete Lagoas, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) atende cerca de 625 pessoas em três frentes: apoio escolar, clínica - onde se faz a reabilitação física e fonoaudiológica dos alunos - e social. Não há um limite de idade para frequentar a associação, e lá podem ser encontradas pessoas a partir de zero anos de idade. “Nós temos um espaço físico adequado e temos profissionais preparados para lidar com pessoas com deficiências, coisa que as escolas normais não oferecem”, afirma o presidente da Apae de Sete Lagoas, José Luiz Tomé, pai de um portador de necessidades especiais que frequenta a Associação. “O meu filho não tem um diagnóstico fechado, mas tem um quadro degenerativo das capacidades cognitivas. Com a assistência na Apae, conseguimos diminuir os efeitos da doença”, conta. Os serviços das Apaes são totalmente gratuitos, e as associações contam com doações da comunidade e também com parcerias com as prefeituras dos municípios onde estão sediadas.