‘Censo cósmico’ revela bilhões de planetas semelhantes à Terra

Análise da sonda Kepler mostra que número de habitáveis pode chegar a 40 bilhões na Via Láctea; cerca de 15% das estrelas menores teriam corpos celestes habitáveis

iG Minas Gerais | Dennis Overbye
The New York Times
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Harvard Smithsonian Center for A
Sistema. Ilustração revela como seria o sistema de Kepler 62, com corpos celestes ao redor de uma estrela menor que o nosso sol
Mountain View, EUA. Em algum lugar no universo, deve existir um planeta onde os vulcões fazem jorrar chocolate. Nesta semana, com base em uma nova análise de dados da sonda Kepler da agência espacial norte-americana, Nasa, astrônomos informaram que o número de planetas habitáveis do tamanho da Terra pode chegar a 40 bilhões apenas nesta galáxia. Uma em cada cinco estrelas da galáxia que são parecidas com o Sol tem um planeta do tamanho da Terra orbitando em torno de si na zona Goldilocks – nem muito quente, nem muito fria – onde as temperaturas da superfície devem ser compatíveis com a água em estado líquido. É o que indica um cálculo hercúleo de três anos baseado em dados da sonda Kepler e realizado por Erik Petigura, estudante de pós-graduação da Universidade da Califórnia, nos EUA. A análise de Petigura representa um grande passo em direção ao objetivo principal da missão Kepler, que foi medir qual fração de estrelas parecidas com o Sol têm planetas do tamanho da Terra na galáxia. Às vezes chamado de “eta-Terra”, trata-se de um fator importante para a chamada equação de Drake, usada para estimar o número de civilizações inteligentes no universo. O artigo de Petigura, publicado na última segunda-feira na revista “Atas da Academia Nacional de Ciências”, acrescenta mais uma nuance interessante em um cosmos que tem se mostrado cada vez mais amigável e fecundo ao longo dos últimos 20 anos. “Parece que o universo produz inúmeros ambientes que de alguma forma se assemelham à Terra no sentido de que são propícios para a vida”, disse Petigura. Ao longo das duas últimas décadas, os astrônomos registraram mais de mil planetas em torno de outras estrelas, denominados exoplanetas, e a sonda Kepler, em seus quatro anos de vida, antes de sofrer um problema mecânico em maio, compilou uma lista de cerca de 3.500 outros candidatos. Os próximos resultados podem suscitar planos para encontrar um planeta gêmeo da Terra nos próximos anos e décadas – uma Terra 2.0, como diz o jargão – perto o suficiente daqui para ser estudado. O mais próximo desses planetas pode estar a apenas 12 anos-luz de distância. “Essa estrela poderia estar visível a olho nu”, disse. Análises. Suas conclusões se baseiam em um relatório divulgado no início deste ano por David Charbonneau e Courtney Dressing, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, que descobriram que cerca de 15% das estrelas menores e mais numerosas conhecidas como anãs vermelhas têm planetas parecidos com a Terra em suas zonas habitáveis. Usando pressupostos um pouco menos conservadores, Ravi Kopparapu, da Universidade Estadual da Pensilvânia, descobriu que metade de todas as anãs vermelhas possui tais planetas. Os astrônomos estimam que existam pelo menos 200 bilhões de estrelas de todos os tipos na Via Láctea, o que leva a imaginar que talvez haja alguns micróbios ou criaturas mais complicadas pela galáxia afora. Geoffrey Marcy, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, que orientou a pesquisa de Petigura e foi coautor do estudo, juntamente com Andrew Howard, da Universidade do Havaí, disse: “Este é o trabalho mais importante no qual eu já estive envolvido. Isso diz tudo. Existem outras Terras habitáveis por aí? Estou com um friozinho na barriga”, contou. Chance de vida Fração. De acordo com o novo cálculo, a fração de estrelas com planetas semelhantes à Terra é de 22%, com uma margem de erro de 8%, dependendo do modo como definimos a zona habitável.

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