Aluguel de luxo e para poucos

Auxílio pago a deputados com casa na capital é quase seis vezes maior que bolsa para desabrigados

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

RICARDO BARBOSA/ALMG - 18.12.2010
Lafayette Andrada (PSDB) ganha bolsa-aluguel mas tem casas em BH
Com o início do período chuvoso, a Defesa Civil intensifica o monitoramento em áreas de risco para retirar famílias que vivem em locais que podem sofrer com desabamentos e ocorrências de enchentes. A Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) paga, para cada família desabrigada e que não tem para onde ir, uma bolsa-moradia no valor de R$ 500. Entre janeiro e maio deste ano, de acordo com informações mais recentes da Urbel, mais de R$ 5,8 milhões foram pagos a 11.627 beneficiários do programa da prefeitura da capital.   Em contrapartida, 26 deputados estaduais que recebem um salário de mais de R$ 20 mil e que já possuem imóveis na região metropolitana de Belo Horizonte recebem, todos os meses, R$ 2.850 para despesas com aluguel. O valor equivale ao gasto para manter, por quase um semestre, uma família que precisou ser removida de sua casa por causadas chuvas. Perfil. Com R$ 2.850, de acordo com a Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG) e imobiliárias da capital consultadas pela reportagem, é possível encontrar apartamentos em áreas nobres de Belo Horizonte, como nos bairros Belvedere, Lourdes, Sion ou Funcionários, todos na região Centro-Sul. Quem tem esse dinheiro para gastar com aluguel pode optar por apartamentos com três ou quatro quartos e outros itens de conforto, como duas vagas de garagem. Há imóveis disponíveis por este valor com duas salas e dois banheiros. Com R$ 500, as famílias que precisam deixar suas moradias em áreas de risco conseguem encontrar um barracão, em geral com um quarto e sala, para abrigar toda a família. Conforme as imobiliárias, com esse valor, os imóveis são encontrados em bairros distantes. O preço médio do aluguel de barracões na região do Barreiro é de R$ 566. Na região é Leste, a média fica na casa dos R$ 535. Providências. Nesta quinta-feira, a Procuradoria Geral de Justiça de Minas Gerais encaminhou à Assembleia uma recomendação relativa ao pagamento da mordomia a esses deputados. O assunto vem sendo tratado há alguns meses entre o Ministério Público e a Assembleia, que vai elaborar uma proposta de resolução, até o fim do ano, para pedir a extinção do benefício aos parlamentares que já têm moradia em Belo Horizonte ou outras cidades da região metropolitana.

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