Treinador supera protestos

No entanto, técnico não se deixou abalar pelas críticas e ganhou a confiança da China Azul

iG Minas Gerais | Thiago Prata / Bruno Trindade |

SAMUEL AGUIAR / O TEMPO
Ficou no passado. Em novembro de 2012, torcida organizada pedia a saída de Celso Roth e repudiava a venda de Marcelo Oliveira
Assim como um ditado popular que orienta a nunca julgar um livro pela capa, o futebol ensina que é preciso deixar um profissional provar o seu valor com o tempo, em vez de criticá-lo antes mesmo de ele vestir a camisa de um clube. O técnico Marcelo Oliveira é prova cabal disso. Rejeitado por grande parte da China Azul, na época em que ainda era especulado na Toca da Raposa, ele teve de matar um leão por dia até levar o time ao topo do Brasileirão deste ano.   Hoje faz exatamente um ano do primeiro protesto da torcida cruzeirense, que execrava a intenção da diretoria em contratar o treinador, cujo passado é ligado ao rival Atlético, para 2013. No dia 8 de novembro de 2012, cerca de 50 membros de uma torcida organizada da Raposa fizeram uma manifestação em frente à Toca II contra o mau momento da equipe e a possibilidade de Marcelo Oliveira assumir o Cruzeiro na temporada seguinte. Naquela ocasião, torcedores usavam narizes de palhaço e exibiam cartazes dizendo “não” ao técnico. De nada adiantou. Em dezembro, Marcelo foi apresentado como novo treinador celeste. A perda do Campeonato Mineiro e a eliminação precoce na Copa do Brasil aumentaram a raiva de muitos torcedores. Só que a montagem de um elenco recheado de grandes jogadores, o trabalho e a campanha no Brasileirão falaram mais alto e fizeram com que o comandante “queimasse muita língua”. “O Marcelo (Oliveira) nos surpreendeu, assim como a diretoria, que contratou bons jogadores”, opinou o estudante Rafael Nunes, 22. Houve, porém, quem aprovasse a vinda do ex-atleticano para o Cruzeiro. “Quando a torcida protestou na porta da Toca II, não acho que era a hora para isso. Eu não gosto de treinador medalhão, que já ganhou tudo e que não tem muito objetivo. O Marcelo (Oliveira) foi uma aposta. Com a vitória no clássico (de reabertura do Mineirão), ele ganhou a minha confiança”, disse o estudante Marcell Tiago, 23. Sempre esbanjando confiança e sem dar atenção para as críticas que recebia, o treinador mostrou que é profissional em qualquer lugar onde passa. Isso ficou claro, por exemplo, com as comemorações com os gols do time sobre o arquirrival Atlético. A reportagem tentou entrar em contato com integrantes da torcida organizada que fez o protesto há um ano, mas ninguém retornou às ligações.

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