Sanduíches divinos e caminhoneiros com potência excessiva

iG Minas Gerais |

Hélvio
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Conheci o Jack’s Big Burguer há cerca de ano e meio, no Sion, e gostei muito. Na época, conferi os sanduíches da casa pequena, charmosa, que dava os primeiros passos na praça gastronômica. O negócio prosperou e abriram outro estabelecimento na promissora Vila da Serra, em Nova Lima, perto do Biocor. A decoração é ainda mais agradável aos olhos, com uma Kombi linda no meio do salão, e poltroninhas de couro confortáveis, bem a cara daquelas lanchonetes hollywoodianas. O atendimento é gentil e eficiente. Bons chopes e cervejas acompanham bem as diversas opções do cardápio, que inclui almoço executivo honesto, a bom preço. Pedi a enorme costela de porco, que pecou por assar menos que o necessário. Não chegou a comprometer o cozimento, mas ficou devendo em cor, aroma, textura. Costelinha precisa tostar, para ficar crocante e realçar a suculência da gordura. Molho barbecue gostoso, saladinha de alface americana e tomates, no entorno, em montagem cuidadosa, batatas assadas ao alecrim deliciosas completavam o prato. O filé mignon da Geanelle estava ótimo, alto, mal passado, macio e bem temperado. As “frenchies” não são “fried”, mas parecem. Assadas sem gordura, valem muitíssimo à pena na relação custo-benefício entre o paladar e o colesterol. E por falar em saúde, o burguer pode vir à Elvis Parsley... e isso lá significa vegetariano. Deve ser bom também, além de me fazer lembrar os mac indianos, jamais à base de carne bovina. Mas os carros-chefe do cardápio, na minha opinião, são mesmo os sanduíches. Talvez os melhores de BH, ou emparelhados com os do Eddie. O Duke Lambert Sheppard, uma variação meio árabe, é instigante, com seu molho de hortelã e queijo gorgonzola. E o Sen Spiced Bullhog é divino! O meu preferido vem com pão de batata coberto de gergelim preto, hambúrguer de carne bovina, suína e bacon, molho apimentado, queijo emmental, pepinos em conserva doce e alface americana. Batata frita é a guarnição de sempre e uma saladinha também é possível. Um último dado interessante: o cardápio tem tradução para o inglês. Confesso que tenho a mínima esperança de que exemplos como esse sejam copiados para a Copa do Mundo e depois se eternizem. Vamos lá, empresários do ramo: contratem umas três horas de professor de inglês e espanhol para valorizarem seus restaurantes! Mudando de assunto para criticar a nossa Polícia Rodoviária, principalmente a federal, que perde e muito para suas congêneres argentina, chilena e, pasme, paraguaia! Já os nossos caminhoneiros precisam passar urgentemente por cursos de civilidade, respeito à vida e segurança no trânsito. Coitados... imagino que as empresas botem a corda no seu pescoço, forçando-os a apressar a toada a qualquer custo, mesmo que seja o da vida sua e alheia. Não é preciso ir longe para se dar conta disso. Basta ver a inoperância da fiscalização na chegada da BR-040, para quem vem de Moeda, por exemplo. Os caminhões de minério empoeiram a estrada e fazem ultrapassagens aterradoras. É de dar medo. Isso também faz a gente pensar sobre a potência dos motores: por que a indústria automotiva e a publicidade continuam apostando na velocidade? E por que o governo tolera isso... quem sabe, pensando nas multas.

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