O lar sonoro e confortável de Jennifer Souza

Integrante da banda Transmissor, cantora mostra repertório do aguardado álbum solo no Espaço CentoeQuatro

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

wal moraes/divulgação
Todos os convidados que participaram do disco têm grande relação afetiva com a cantora
Quem já teve contato com Jennifer Souza sabe: trata-se de uma garota que equaciona, em doses exatas, a grande timidez e o excessivo talento. Combinação que gera encantamento, seja para quem já a assistiu junto com os companheiros de Transmissor, ou em performances solo. Portanto, “Impossível Breve”, seu aguardadíssimo disco de estreia solo, que ganha lançamento hoje no Espaço CentoeQuatro, é chance rara do ouvinte adentrar confortavelmente a casa de Jennifer. A estreia solo da compositora vem sendo gestada há pelos menos três anos. “Percebi que eu havia acumulado um apanhado de canções que dialogavam entre si, que poderiam se tornar um disco”, revela a cantora. Reuniu então 15 canções, que não entraram no repertório de sua banda e que mostraram uma amarração estética, que “vem da minha própria identidade de compor, o meu senso melódico, o jeito de escrever letras, de se expressar”, com diz. Os parceiros de banda, Thiago Correia e Henrique Matheus ajudaram na pré-produção e para montar a banda convidou dois bambas do jazz na cidade, Frederico Heliodoro e Felipe Continentino, que embalaram as canções na leveza fluida do gênero. “Eu pessoalmente escuto bastante coisas de jazz, gosto da estética, das cantoras clássicas e tinha comigo a vontade de fazer uma coisa menos produzida, um pouco mais solta que soasse mais ‘ao vivo’”, justifica. Pessoal . Mas “Impossível Breve” é também envelopado em tonalidades folk, que não escondem o caráter intimista do trabalho. “É um disco bem introspectivo, de letras bem pessoais. Fala de um processo bem solitário, compus a maioria das canções nos últimos quatro, cinco anos, período em que morei sozinha”, revela a cantora. Liricamente, é mesmo essa sensação solitária, abrigando impressões pessoais, que, de certa forma, roteiriza o trabalho. “O sol aparece apenas a partir da sétima faixa”, ela diz. “Até ali, o trabalho carrega uma densidade, uma melancolia. A partir de “Le Flaneûr”, dedicada ao amigo Rafael Godoy, que se foi precocemente, acaba o sofrimento, quero ir para rua de novo conhecer pessoas”, explica. É quando Jennifer, flanêur de si mesma, põe em prática as lições deixadas pelo poeta beat Jack Kerouac e reconhece as coisas lá fora, “on the road”, endereçando inclusive uma canção ao mestre. “Para Kerouac”, foi feita em parceria com Artênius Daniel, uma das pessoas que “sabia exatamente” o que a cantora queria dizer, quando fez a letra. Assim como ele, as participações especiais do disco são todas afetivas: amigos que frequentam o lar de Jennifer e conhecem o radar sensível da cantora. “São pessoas que convivem comigo a um certo tempo”, assume. “Gabriel de Oliveira, que gravou o piano na faixa ‘Vouloir’, nem toca com regularidade, não tem nada gravado, mas é um amigo sensível, fizemos um arranjo lindíssimo. Thiago Sá, outro grande amigo, é essa a questão que está em primeiro plano”. Uma parceria foi especialmente importante para Jennifer, o músico paulista Fábio Góes, com quem divide vocais na faixa “Pedro & Lis”. Assim como Radiohead, Jeff Buckley e outros diapasões importantes, Góes foi um artista que abriu uma perspectiva nova para a música da cantora. “É como se o tempo todo ele estivesse falando a mesma coisa que eu, mas de um outro jeito. É uma figura fundamental para mim”, revela. Góes sobe ao palco hoje com a cantora, dividindo o microfone na canção citada, na sua “Sol No Escuro” e em uma surpresa guardada para o momento em que a porta estará aberta para o público conhecer Jennifer. Não deixe de entrar. Serviço: Jennifer Souza. Hoje, às 22h no Espaço CentoeQuatro. (praça Ruy Barbosa, 104, centro). Ingressos: R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia)

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