Sanfona que conta histórias

Marcelo Caldi, um dos sanfonistas mais ativos do país, apresenta o show “Tem Sanfona no Choro” em Santa Efigênia

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

Sérgio Bondioni/DIVULGAÇÃO
Pesquisa. Marcelo Caldi desenvolve trabalho sobre a obra de Gonzagão
A sanfona é um daqueles instrumentos extremamente identificados com um gênero musical. A despeito do uso que fazem bandas indies como Arcade Fire ou Beirut, ela é símbolo maior do forró nordestino, consagrada nas mãos calejadas e virtuosas de imensos nomes da música brasileira. A apresentação que Marcelo Caldi faz hoje, na Praça Floriano Peixoto, é uma ótima oportunidade para entender as metamorfoses do instrumento. “No Brasil ela é mais identificada no forró, mas temos a gaita no Sul; ela é usada também na música paraense, na canção sertaneja”, enumera o músico. Sua paixão pela sanfona veio por meio do piano que vem de seu berço musical, já que é filho do casal de pianistas Estela Caldi e Homero Magalhães, e irmão dos músicos Alexandre Caldi, Alain Pierre e Homero Magalhães. O interesse pela sanfona surgiu para ele no final dos anos 1990, na explosão do chamado “forró universitário”. “Foi mais pelo modismo”, ele assume. “Mas acabou virando uma coisa séria, comecei a pesquisar, entrar em contato com outros gêneros, como o tango. Inclusive temos na família um grupo dedicado ao gênero portenho”, diz. O que o carioca Caldi percebeu foi que forró nordestino e a Festa de São João são potências nacionais tão importantes “quanto o samba ou o Carnaval”. Se encantou pela música de Gonzagão, mas também pelos ritmos saborosos de Gordurinha, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Sivuca e por aí vai. “Muitos dessa nova geração, surgida no final dos anos 1990, pegaram essa injeção de ânimo no forró e passaram a exercer esse papel de pesquisadores, indo a fundo no gênero”, explica o artista. Foi esse caminho que o ajudou a formatar o projeto “Tem Sanfona no Choro”, registro histórico, em livro e CD, da fase “pré-forró” do rei do instrumento no país, Luiz Gonzaga. “Quando Gonzagão chegou ao Rio de Janeiro, em 1939, ele começou tocando choro. Ele fez parte do Regional de Choro do Canhoto, acompanhou vários artistas em gravações. Ali ele foi aprendendo a música como ofício, ambientou-se no choro. Foi um período importante antes dele se lançar como cantor em 1947”, situa. No disco, Caldi interpreta valsas, mazurcas, polcas, quadrilhas e os “chamegos”, estilo instrumental que Gonzagão tentou emplacar antes do baião, dentro da linguagem do choro carioca. A publicação traz ainda partituras cifradas dos choros, transcritas por Caldi. No show ele executa, acompanhado de Fábio Luna (percussão, bateria e flauta) e Rogério Caetano (violão sete cordas) canções deste trabalho. Mas ele também amplia o leque para outras molas mestras da sanfona no país, como Dominguinhos e Sivuca, além de material de lavra própria. “Eles deixaram um imenso legado para nós, sanfoneiros”, argumenta. A perda de Dominguinhos, este ano, deixa um vazio que os herdeiros artísticos como ele tentam honrar. “Ele veio com outra abordagem, expandiu para o mundo, flertou com o jazz, trouxe mil coisas. Além da generosidade, nunca negava um pedido”, lamenta. Currículo A projeção nacional de Caldi se deu a partir de 2012, quando participou de homenagens a Luiz Gonzaga. Ele também já se apresentou ao lado de artistas como Gilberto Gil, Elba Ramalho, Chico César, Zé Calixto e Geraldo Azevedo. Agenda O QUÊ. Marcelo Caldi Trio QUANDO. Hoje, às 20h ONDE. Praça Floriano Peixoto, Santa Efigênia QUANTO. Entrada Franca

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