Ator vai estrear ainda em minissérie na TV

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

rec produtores associados/divulgação
Jesuíta em cena de “Tatuagem”, em que interpreta um recruta
No Festival de Gramado deste ano, o ator Wagner Moura brincou a respeito de sua raiva sobre jovens talentos do cinema nacional, endereçando particularmente sua “ira” a Jesuíta Barbosa. As palavras do baiano Moura podem parecer, a princípio, um ranço da “velha” geração (ele tem apenas 37 anos de idade), mas mostram que a admiração pelo trabalho do promissor ator se transformou em algo muito maior que uma relação de colegas de set (ambos trabalharam nos longas-metragens “Serra Pelada” e “Praia do Futuro”). “Pode falar, sim, em apadrinhamento. O Wagner é uma espécie de irmão mais velho. Ajuda me mostrando o caminho das pedras. Ele não costuma vir a Fortaleza. Sempre visito ele e sua família, no Rio de Janeiro. Sua mulher e os três filhos”, completa Jesuíta. O ator se junta ao padrinho Wagner Moura para uma nova tradição que merece destaque do cinema nacional: a efervescente produção do cinema feito no Nordeste do Brasil. Mais especificamente em Pernambuco, Estado onde nasceu Jesuíta e que vem revelando diretores celebrados como Kléber Mendonça Filho, de “O Som ao Redor”; Marcelo Gomes, “Era uma Vez Eu, Verônica”; Marcelo Lordello de “Eles Voltam” e o polêmico e controverso Cláudio Assis de “Baixio das Bestas” e “Amarelo Manga”. Jesuíta iniciou sua carreira no teatro. Desde 2008, ele é integrante do grupo Trasvestidas, dirigido pelo pesquisador Silvero Pereira, que hoje mora no Rio Grande do Sul. “Há dez anos o Silvero fez um solo com um texto do Caio Fernando Abreu, ‘Dama da Noite’. Depois dessa primeira experiência, o coletivo foi formado”, lembra o ator. No entanto, Jesuíta não consegue mais se dedicar ao coletivo. “Eu gosto muito de me montar (se vestir de mulher), mas já faz um tempo que eu não consigo, não tenho tempo. Eu gosto muito do feminino, de ver a reação das pessoas com essas figuras travestidas”. Não é somente ao grupo que o ator não consegue mais se dedicar. Ele é aluno da Universidade Federal do Ceará, onde cursa licenciatura em Teatro, mas desde 2011, trancou sua matrícula. “Não me formei ainda. Falta um ano. Depois que fiz o primeiro filme, não consegui mais voltar à universidade”, lamenta. O ator acredita que a principal contribuição que o teatro traz para a experiência no cinema é basicamente porque permite o artista ser mais livre. “Quando eu entrei no cinema, vindo do teatro, eu entrei livre de amarras. O teatro contribui para que fiquemos mais abertos”, explica. TELEVISÃO. Jesuíta se prepara para sua estreia na televisão, a partir de janeiro, com a minissérie “Amores Roubados”. “Eu era curioso para saber como era o tempo da televisão. Essa minissérie foi basicamente feita por gente do cinema (a direção é de José Luiz Villamarin e a direção de fotografia de Walter Carvalho), então ela não era exatamente naquele ritmo da TV diária. Mas tudo é mais rápido. Isso não é necessariamente ruim. As coisas ficam boas. É só uma questão de entender como funciona a engrenagem: menos tempo de preparação, menos takes para fazer uma cena e logo você se acostuma”, afirma. Ao desbravar esse novo universo, o jovem ator se sentiu um pouco receoso: “No início assusta um pouco, porque você é acostumado com aquele rosto na TV, distante. Com os nordestinos, feito o Wagner (Moura) que é baiano, eu fico mais à vontade. Mas como o trabalho é diário, não tem jeito, a gente se acostuma uns com os outros”, garante Jesuíta.

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