Polícia aposta em quadrilha especializada na venda de ingressos falsos

Apesar da apreensão de 147 ingressos falsificados, a Polícia Civil alerta que ainda podem existir outros na mão de cambistas

iG Minas Gerais | Bruno Henrique |

  Depois da prisão de oito pessoas e da apreensão de 147 ingressos falsos para o jogo entre Cruzeiro e Grêmio, no próximo domingo (10), no Mineirão, em um duelo que pode decretar o título da Raposa, a Polícia Civil faz um alerta, pois ainda podem existir outros ingressos falsos na mão de outros cambistas, e recomenda para que as pessoas não recorram a essas pessoas para tentar assistir ao jogo.   Dois fatores foram apontados pela polícia para a identificação desses bilhetes falsos. "Os ingressos apreendidos são do portão C, que é uma entrada exclusiva para os sócios-torcedores do Cruzeiro e não são produzidos ingressos de papel para este setor, só mediante o cartão de sócio que os torcedores entram. Outro fator é que a parte de trás do ingresso falso é preta e branca, enquanto que do ingresso original é azul de branco", declarou o delegado da Polícia de Eventos Felipe Falles.   Dois torcedores, segundo o delegado, teriam procurado a polícia para informar sobre os ingressos falsos e afirmaram que gastaram cerca de R$ 800 nos ingressos.   Apesar de todos os ingressos apreendidos serem do portão C, o policial orientou para que as pessoas não comprem ingressos de cambistas. “Nada impede também que outros setores possam ter sido falsificados. A dica primária e básica é comprar ingresso na bilheteria e nos postos de venda oficiais do clube”, afirmou.   O delegado acredita que os presos façam parte de uma quadrilha que atua em vários lugares do Brasil e em outros tipos de eventos além do futebol. “Tudo indica que esses ingressos estão sendo confeccionados em São Paulo e a gente vê que, em jogos de grande apelo, essa atuação é recorrente, por isso acreditamos que é uma prática de uma organização criminosa. Tudo indica que essa quadrilha não age só em Belo Horizonte. Alguns dos presos também comercializam ingressos de outros jogos e de outros eventos, em outros lugares e estádios”, disse.   Falles contou que os bilhetes teriam sido passados por Marcelo Francisco de Souza, 37, que rondava a região do Mineirão em um veículo Punto vermelho, com placa de São Paulo, oferecendo os ingressos. Ele usava a foto de um jornal, que trazia a imagem de um ingresso para afirmar que as entradas eram verdadeiras.   “Todos (os presos) narraram que o Marcelo, identificado pelo documento de identidade que encontramos dentro do carro do Ronaldo Rocha Vicente, 34, vulgo Paulista, que foi preso, passava vendendo esses ingressos por R$ 100 e os cambistas revendiam por R$ 200, R$ 250 para os torcedores. Identificamos o Ronaldo, fomos até o hotel onde ele estava hospedado e lá encontramos mais ingressos falsificados”.   O delegado disse que Souza não está foragido e que é considerado alvo de investigação, já que ainda não existe um mandado de prisão contra ele. Após analisar as provas e os depoimentos de vítimas e testemunhas, é que Falles vai decidir se faz o pedido de prisão.   O policial relembrou ainda que as pessoas que adquirem ingressos falsificados também estão cometendo crime. “Quem compra ingressos de cambistas está incorrendo em crime, conforme o Estatuto do Torcedor”, concluiu.   Os oito torcedores presos vão responder por falsificação de documento particular, associação criminosa, estelionato e atuação de cambista, conforme o Estatuto do Torcedor. A pena varia de 4 a 15 anos de reclusão.  

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