Data do Enem coloca em risco a sobrevivência de cursinhos

A conta não fecha. Sem alunos depois da prova, empresas continuam tendo que pagar seus professores

iG Minas Gerais | Pedro Grossi |

Pedro Gontijo
Em casa. Aline, Thais e Raniely ainda não sabem o resultado do Enem, mas já deixaram o cursinho
Antes cheios de estudantes o ano todo, os cursinhos pré-vestibulares agora ficam sem alunos depois da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece em outubro. Com o fim da segunda etapa do vestibular da UFMG, que mantinha as salas cheias no fim do ano, as escolas que quiserem sobreviver vão ter de achar uma solução para a equação: falta de alunos mais professores ociosos é igual a prejuízo. “Se o problema não for contornado rapidamente, os cursinhos vão começar a fechar as portas”, sintetiza o diretor regional do Sistema Educacional Brasileiro (SEB) – que, em 2010, comprou o pré-vestibular Unimaster –, André Cefali. Segundo ele, a queda nas receitas pode chegar a 35%, o que representa uma grave ameaça à existência desse modelo de negócio. Como os cursinhos não são regulamentados pelo Ministério da Educação (MEC) e nem todas as instituições são filiadas ao sindicato da categoria, os números são imprecisos. Mas de acordo com pessoas ligadas ao setor, a estimativa é que, nos últimos cinco anos, o volume de alunos tenha caído de 30 mil para 18 mil em Belo Horizonte. As despesas dessas escolas não são pequenas. Os professores mais experientes chegam a receber entre R$ 70 e R$ 90 por hora/aula, o que, para quem tem uma jornada de 40 horas semanais, representa remuneração mensal de R$ 15 mil. “Temos de pagar 13,3 salários por ano, contando as férias e o 13º, para termos professores por oito meses. É insustentável”, diz Cefali. Jeitinho. Entre as medidas paliativas adotadas pelos cursinhos estão começar as aulas de preparação para o Enem do ano seguinte já em novembro, e oferecer cursos específicos para a Faculdade de Ciências Médicas e a PUC Minas, que adotaram o Enem apenas parcialmente. “Começar as aulas em novembro traz vários problemas. O aluno que já fez a prova ainda não sabe o resultado, nem sabe se precisa reiniciar os estudos. Além disso, quem nunca fez o teste e está no ensino médio ainda está no meio do ano letivo”, diz o diretor do pré-vestibular Soma, Roberto Regis. Negociação . O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) e a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenec) formalizaram um pedido ao MEC para que a aplicação do Enem seja alterada de outubro para novembro, e para que a prova seja aplicada duas vezes: uma no meio e outra no fim do ano letivo. “O ministro (Aloizio) Mercadante sinalizou positivamente, mas, por enquanto, não há nenhuma alteração prevista”, diz o presidente do Sinep-MG, Emiro Barbini. O sindicato também tenta negociar com os professores uma convenção de trabalho diferente do restante da categoria e que permita contratos mais flexíveis – pedido que não deverá ser atendido. “Os professores são trabalhadores e têm contas o ano inteiro. Eles não podem ter contratos diferentes”, diz o coordenador da comissão de negociação do Sindicato dos Professores Particulares (Sinpro-MG), Newton de Souza. O único ponto acertado entre as partes é que as férias dos professores, tradicionalmente em fevereiro, serão em janeiro, quando antes ainda havia a segunda etapa do vestibular.

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