A culpa é inimiga da redenção

iG Minas Gerais |

Fotomontagem Hélvio Avelar
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Imagine um elenco formado por Michael Fassbender, Penélope Cruz, Brad Pitt, Cameron Diaz e Javier Bardem num único filme? Então, o filme existe e está em cartaz nos cinemas. “O Conselheiro do Crime” é um suspense pesado com a direção de Ridley Scott e o roteiro inesperado de Cormac McCarthy. Digo inesperado porque, até a metade do filme, não dá pra saber pra onde vai a trama, tamanha a quantidade de personagens que vão surgindo, dos diálogos de difícil entendimento, e das metáforas e abstratas frases de efeito que aparecem o tempo todo. Resumindo pra ver se consigo ser claro: um advogado (Fassbender) da fronteira do Texas com o México, movido pela ganância de querer uma vida melhor com sua futura bela esposa (Penélope), se envolve num esquema de cartel internacional de drogas bem perigoso, em que um traficante exótico (Bardem) e um intermediário metido a sabichão (Pitt) ditam as regras. Isso sem contar a presença primordial da mulher do traficante canastrão (Cameron), uma imigrante panamenha interessantíssima e que respira sexo. Mas, como era de se esperar, alguma coisa dá errado, e o advogado aprende, da pior maneira possível, que, para todo pecado cometido, há uma penitência a ser paga. É por meio das mensagens enigmáticas que se complementam todo o tempo que percebemos que o tamanho do crime é diretamente proporcional à culpa e, consequentemente, ao castigo inevitável. Em um determinado momento, um dos vários personagens dá a maior lição do filme, algo que vai martelar não só a cabeça do protagonista, mas a sua também: o que fazer quando sua maior preocupação é o arrependimento tardio? É claro que, em algum momento da sua vida, você já se arrependeu de ter feito alguma coisa errada. Às vezes, você até sabe que aquilo que fez não é certo, mas segue em frente, arriscando as fichas em algo maior. A sua consciência é seu guia e, em alguns casos, é ela que mais dói e martela quando algo não sai da forma como deveria. O discurso do personagem fala muito do sentimento de pesar. Todo mundo sabe que, para cada ação, existe uma reação. Sabe também que as nossas recompensas finais só serão 100% do nosso agrado se tivermos ficha limpa. É geral: se você planta o bem, vai colher o bem. E vice-versa. É aí nesse tal verso que está o problema. Quando você se propõe a fazer o mal, por menor que seja, pode se preparar porque um dia esse leite vai azedar. Seja você uma pessoa respeitável, de status social elevado, cometendo o crime do colarinho-branco, ou um grande pé-rapado, digno da página 3 do Super. E depois que esse crime é concebido, não adianta chorar pelo leite derramado, seja ele já azedo ou intensamente fervido. Não vivemos em um filme. Aprendemos que, na vida, só a morte é certa. Então, deixe a sua consciência limpa e aproveite para tirar o melhor que a vida te oferece. Você vai ver que pecar é uma escolha. Vai ver também que a melhor maneira de fugir da culpa é seguir o fluxo, sem desvios, sem manobras, sem o grande percalço que é viver à base do medo, um dos pilares do arrependimento.

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