Distrito Industrial não tem estrutura para abrigar empresas

Para empresários receberem documento de posse dos terrenos, a Prefeitura de Betim ainda precisa regularizar a documentação dos imóveis

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

João Lêus
Apenas parte da infraestrutura do distrito foi feita
Trinta e quatro empresas de Betim que tiveram a promessa de receber, através de projetos de lei, aprovados entre 2011 e 2012, a doação de terrenos para poder instalar seus empreendimentos no Distrito Industrial do Bandeirinhas ainda estão à espera da finalização das obras de infraestrutura do local e da regulamentação das áreas para poderem, enfim, tomar posse de seus imóveis. A situação, que se arrasta há mais de dois anos, prejudica a geração de empregos e a vinda de mais investimentos para a cidade. O processo de viabilização da ampliação do distrito industrial teve início em janeiro do ano passado. Na época, foi instituída, entre o município e os empreendedores, através de um projeto de lei, uma Operação Urbana Consorciada, que autoriza o governo a realizar um conjunto de obras e intervenções ambientais e urbanísticas para poder concluir a operação, isto é, a construção do Distrito Industrial do Bandeirinhas e do Parque Ecológico do Córrego Santo Antônio, localizado na mesma região. Parte da execução da infraestrutura do distrito industrial foi realizada pela empresa Essencis Soluções Ambientais, que investiu mais de R$ 6 milhões em obras, como terraplenagem e pavimentação asfáltica. Em contrapartida, a empresa recebeu do governo um terreno público no bairro Cachoeira. Imbróglio O problema é que, apesar de a ex-prefeita Maria do Carmo Lara (PT) ter anunciado, na época, a ampliação do distrito industrial, na prática, a execução do projeto ficou só no papel. “A lei facultou a doação dos terrenos, antes da conclusão dos projetos executivos, das obras viárias e de infraestrutura. Foram definidos os requisitos e as obrigações a serem cumpridas pelas empresas, além da contrapartida de 40% do valor dos terrenos a ser depositada pelas mesmas. Ela será destinada à realização da operação. Porém, para que as empresas possam obter o registro desses imóveis, é necessário que suas áreas sejam desmembradas, e, para isso, é preciso concluir as obras do sistema viário e de infraestrutura da região”, explicou a presidente do Instituto de Pesquisas e Política Urbana de Betim (Ippub), Cleide Pedrosa. O problema é que, apesar de a atual gestão estar trabalhando para tentar resolver o problema, o imbróglio para viabilizar a entrega dos documentos de posses desses terrenos pode prejudicar o crescimento da economia da cidade. Isso porque alguns empreendedores sinalizam desistir de investir no município. “Tenho uma empresa instalada em Betim e gostaria de ampliar meu empreendimento aqui. Mas, diante dessa burocracia, penso em ir para cidades vizinhas. Somente as 16 empresas do Jardim Piemont previstas para irem para o Bandeirinhas gerariam mais de 2.000 empregos e faturariam, por mês, quase R$ 1 milhão. Isso significa uma arrecadação mensal de R$ 150 mil em ICMS”, disse o presidente da Associação das Empresas de Betim (Asebet), Diógenes Alves. Já segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Fabrício Freire, o município não está perdendo recurso, já que essas empresas estão instaladas na cidade. “Se elas fossem para o distrito, poderíamos gerar mais arrecadação. Mas estamos trabalhando para tentar resolver a questão até o fim deste ano”, reforçou.

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