Show de abertura fica por conta do talentoso Silva

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

JORGE BISPO/DIVULGAÇÃO
Jovem músico capixaba está às voltas com seu segundo álbum
Dono de um dos discos mais interessantes da música brasileira nos últimos anos (“Claridão”, lançado no ano passado), o capixaba Silva encara hoje, pela segunda vez em menos de um mês, o desafio de abrir o show de uma atração internacional. Além de dar boas vindas ao público de Lana Del Rey hoje à noite, ele também foi responsável por aquecer a plateia antes do show dos britânicos XX em São Paulo, na semana retrasada. “Estou indo de brinde”, se diverte o músico. “Rola uma ansiedade, uma expectativa, porque eu sei que é um público grande indo para ver a Lana”. O que deixa tudo mais interessante é o fato de Silva não ser exatamente um veterano dos palcos, já que ele só encara os shows depois de estar com seu disco pronto. “Mas já estou fazendo este a bastante tempo”, garante. “Ele está amarradinho. O nervosismo não bate em relação ao show, e sim à situação”. Como muita gente, ele também ficou desconfiado do imensa badalação inicial em cima do nome de Lana Del Rey. “Resolvi esperar, para ouvir com atenção depois que o hype passasse. Quando ouvi gostei muito”. Ele conheceu a cantora através da (ótima) participação que ela fez no disco do clássico soulman Bobby Womack, “The Bravest Man On Earth” (2012), na faixa “Dayglo Reflection”. “Achei incrível, um disco mais eletrônico, achei o vocal dela muito bom. A partir daí comecei a ouvir o trabalho próprio dela, a entender seu estilo: uma coisa bem canção, com arranjos de cordas. Gosto muito. Fiquei super lisonjeado com o convite”, elogia. Talvez seja possível até encontrar paralelos nos dois trabalhos, como o uso sutil e elegante dos recursos eletrônicos. “Tem um pouco”, reconhece Silva. “O drama, um certo tom melancólico, acho que essa seria a única coisa que pontuaria, que combina com o trabalho que ela apresentou”. Carreira. Silva atualmente está imerso no processo de produção de seu segundo disco, aquela famosa prova de fogo para novos artistas. “Estou tentando fazer essa transição de forma agradável, já que vim do ‘Claridão’, um disco que fiz no quarto, onde tudo era muito novo, muito diferente para mim. Esse próximo traz uma tentativa de soar mais ensolarado”, revela. Ainda este mês ele parte para uma turnê europeia, com direito a uma paragem estratégica em Portugal, onde grava o segundo disco. “E consegui juntar uma grana para finalizar o álbum em San Francisco, com Patrick Brown, engenheiro de som que gosto muito e tem no currículo o último disco do Toro Y Moi, por exemplo. Estou tendo a oportunidade de trabalhar com o que sonhei”, revela o músico, que tem formação acadêmica e já tocou em orquestra. Silva é o nome de proa de uma nova e interessante geração de nomes que trabalham o pop brasileiro de forma mais singular, retomando mais (Silva, Mahmundi) ou menos (o mineiro David Dines) referências que ficaram meio escondidas na cronologia do pop brasileiro, pré- anos 1980, como os primeiros discos de Marina Lima, Guilherme Arantes e Lulu Santos. “Eu me identifico muito com essa época do Brasil. Depois dessa época, a música nacional ficou muito tradicional, de certa forma. Você ouve o primeiro disco da Marina, percebe muito sintetizador, bateria eletrônica. Eram invenções da época, depois as coisas ficaram mais tímidas. Eles inovaram bastante”, diz. Silva inclusive teve contato com um destes artistas com o qual é frequentemente comparado. “Conheci o Guilherme Arantes no último Prêmio Multishow, batemos um papo, fiquei super feliz”, revela.

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