Acordo nuclear entre Irã e potências apresenta avanços

Reunião quer colocar limites específicos que delimitem a capacidade do país de fabricar armas atômicas em troca do alívio de sanções

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O Irã e seis potências mundiais - Estados Unidos, Rússia, China Reino Unido, França e Alemanha - enfrentam uma difícil tarefa de negociação nesta quinta-feira, que é deixar as discussões amplas sobre o acordo nuclear de partir para limites específicos que delimitem a capacidade de Teerã de fabricar armas atômicas em troca do alívio de sanções que estão prejudicando a economia iraniana. Trata-se da segunda reunião dos envolvidos nas conversações em Genebra em menos de um mês. A última rodada, três semanas atrás, chegou a um acordo sobre uma estrutura para possíveis pontos de discussão. Os dois lados deram início à rodada desta quinta-feira concentrados em chegar a um "primeiro passo". Isso é descrito pelos negociadores ocidentais como um controle inicial sobre o enriquecimento de urânio e outras atividades nucleares do Irã. Teerã diz que precisa da atividade nuclear para propósitos pacíficos, mas o processo também pode resultar em ogivas e em material fóssil. O encontro inicial foi encerrado cerca de uma hora depois de ter começado, possivelmente para permitir a consideração de ideias apresentadas pelos dois lados e deve ser retomado. O porta-voz da União Europeia, Michael Mann, disse que foi uma "boa sessão de abertura". "Foi uma boa sessão de abertura...Concordamos com o lado iraniano que não entraremos em detalhes, na parte principal o que está sendo discutido na sala", disse ele. "Mas esperamos muito, obviamente, que haja progressos concretos nos próximos dias." Numa possível indicação de que as negociações estão progredindo, autoridades iranianas disseram que o ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, que abriu as negociações com a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, cancelou uma viagem a Roma. O principal negociador iraniano em Genebra, o vice-ministro de Relações Exteriores Abbas Araqchi disse em declarações à televisão estatal iraniana que Zarif permaneceria em Genebra porque as conversações "entraram numa fase complicada, difícil e intensa". Após quase uma década de impasse, o Irã parece mais aberto a fazer concessões aos seis países. O novo presidente reformista, Hassan Rouhani, deu a entender que pode reduzir o programa nuclear do país em troca do alívio das sanções. Mas há facções, tanto no Irã quanto nos Estados Unidos, que exigem que seus interesses sejam atendidos antes e com rapidez. Radicais iranianos querem significativa redução das sanções em troca da redução do enriquecimento, enquanto alguns membros do Legislativo norte-americano querem que o enriquecimento seja interrompido totalmente em troca do alívio nas sanções.

Leia tudo sobre: IrãONUguerranuclearameaçareunião