Faltam os visionários no futebol

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Hoje, o Barcelona enfrenta a retranca do Milan. Nas duas últimas partidas, Neymar, em dois lances parecidos, colocou a bola entre as pernas de vários defensores. Fez um gol contra o Real Madrid e, contra o Espanhol, deixou Sánchez livre para marcar. Essa jogada, frequente no Santos, será mais ainda no Barcelona. Quando o time se aproxima da área, pelo meio, trocando passes, os laterais fecham para fazer a cobertura e deixam os atacantes, pelos lados, livres para receber a bola. Aí, Neymar, pela esquerda e dentro ou próximo da área, pode executar seu imenso repertório. Dias atrás, em uma de minhas caminhadas pela Savassi, em BH, encontrei o escritor e poeta Pedro Maciel. Ele lamentava o fato de os jornalistas esportivos chamarem Neymar de garçom. Para Pedro, sem desmerecer a importante profissão de garçom, um passe tão magistral, tão insólito, merecia uma apoteose, uma homenagem poética. Lembrei-me de uma das deliciosas crônicas de Luís Fernando Veríssimo. Ele também lamentava que muitas pessoas estavam nos lugares errados, como o primeiro homem que pisou na lua. Para Veríssimo, deveria ser um grande poeta, para contar em versos o deslumbramento, o espanto do momento. O futebol brasileiro, dentro e fora de campo, precisa também de profissionais mais sensíveis, mais visionários e menos utilitários. A seleção brasileira sub-17 foi novamente eliminada no Mundial. Não é isso o que mais me preocupa. É a enorme altura e força física dos jogadores, em quase todas as posições. Pior, os garotos adoram a disputa física e os lances aéreos. Jogam sem fantasia. Os grandalhões têm preferência nas categorias de base. Será que hoje o Arsenal, time de José Trajano, um visionário, suportará o desvario do Borussia Dortmund e de sua torcida? No jogo de ida, na Inglaterra, o time alemão ganhou por 2 a 1. Bayern de Munique e Borussia, além da disciplina tática e da ótima técnica, jogam em ritmo mais alucinante que os concorrentes. A torcida do Borussia une o respeito às leis com a paixão sul-americana de torcer, cada dia menos frequente no Brasil, ainda mais nos novos estádios. Hoje, vamos conhecer os finalistas da Copa do Brasil e se o São Paulo continuará na Copa Sul-Americana. O São Paulo está na fase de vencer, mesmo quando joga mal. Um dos acertos de Muricy foi efetivar Maicon como titular. Ele é apenas um bom jogador, mas é um clássico armador, que atua com a cabeça em pé e que tem um bom passe. Imparcial Raros jornalistas de Belo Horizonte falam que eu deveria promover mais os times e jogadores mineiros e defender os atletas nas convocações para a seleção. Ou seja, querem que eu seja bairrista. Repito, pela milésima vez, que escrevo para vários jornais do Brasil, tenho milhões de assuntos para escrever. Já dei minha opinião a favor da convocação de Tardelli e de Fábio. Mesmo se escrevesse somente para Minas, teria obrigação de ser isento, de elogiar e de criticar, da mesma maneira, Cruzeiro, Atlético ou qualquer time. Dizem ainda que eu deveria ser mais agressivo. Querem que eu seja irresponsável e fofoqueiro. Não sou leviano para denunciar o que não conheço bem e/ou não tenho certeza. Outros acham que, às vezes, sou duro nas críticas.

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