Mudar é preciso

iG Minas Gerais |

ALISSON GONTIJO – 26.7.2010
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“Atirem a primeira pedra aqueles que não sentiram um frio na barriga na hora do exame prático, naquele instante que só você e o examinador estão ali e é chegada a hora da decisão, do tudo ou nada. Parece que o mundo vai acabar – e para muitos acaba mesmo – se, ao final da avaliação, a tão sonhada aprovação não acontecer. E, desde que o mundo existe, a coisa funciona assim, nesse sistema de suor e lágrimas, o que não faz o menor sentido. E não é um privilégio dos que tentam a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Belo Horizonte. Em outras capitais e no interior, as dificuldades relatadas são, senão as mesmas, muito parecidas.” Assim, começamos a contar o périplo de uma amiga na busca do sonho de ser motorista. Isso já faz algum tempo, não sei se Janaína, a personagem desse relato, conseguiu obter êxito em sua empreitada. Certeza apenas é que de lá para cá nada mudou. Quem atesta é o repórter Bernardo Miranda, em matéria publicada em O TEMPO , que aborda o assunto em que os Centros de Formação de Condutores (CFCs) foram colocados na berlinda. “Nenhuma das 274 autoescolas privadas de Belo Horizonte conseguiu 60% de aprovação em seus exames práticos para automóveis. Além de não chegar ao índice mínimo recomendado pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a maioria não conseguiu que 30% dos exames de seus alunos fossem de sucesso. Os dados são do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), de janeiro a setembro deste ano. O sindicato da categoria culpa a legislação, que estimularia os alunos a partir para o exame antes de estarem prontos. Já os especialistas cobram mais capacitação dos instrutores”. É o cachorro correndo atrás do rabo. A abordagem do tema vem a propósito do nosso encontro da semana passada, quando falamos sobre as atitudes de muitos motoristas, ou a falta dela. Não existe outra solução a não ser a educação, e, para que isso seja possível, é fundamental a formação dos novos e a reciclagem dos atuais. Mas, a bem da verdade, a fórmula como isso tem sido feito tem que mudar e aperfeiçoar. Desse pensamento comunga o Sindicato dos Proprietários dos Centros de Formação de Condutores de Minas Gerais (SIPROCFC), que aponta a legislação como o maior problema. Segundo o presidente da entidade, Rodrigo Silva, o tempo dispensado para a formação do aluno, hoje estipulado em um mínimo de 20 horas/aulas, está muito aquém do necessário. Silva faz um interessante comparativo quando comenta que a insistência para marcação do teste após as aulas exigidas é grande. E que seria preciso, para se preparar, pelo menos 50 horas. Na Espanha, por exemplo, o mínimo é de 120 horas de aula com um adendo importante, prática em rodovias, o que no Brasil não é nem cogitado. Outro ponto importantíssimo que Rodrigo trouxe para reflexão diz respeito ao modus operandi do exame de rua, que desde os primórdios segue com a mesma didática ultrapassada em que o foco não está no tráfego. E ele lembra que nada mudou em 50 anos e que o mesmo teste por qual seu pai passou, o filho foi submetido no ano passado. Algo diferente? Agora, a baliza é feita separada do resto. É preciso uma evolução, que avalie a condução no trânsito de forma mais prática e não apenas algumas técnicas específicas, recomenda, com razão, Rodrigo.

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