Ipea descarta que há apagão de mão de obra qualificada

Em 2012, faculdades formaram 54 mil engenheiros, mas de baixa qualidade

iG Minas Gerais | Pedro Grossi |

LEO FONTES / OTEMPO - 19/07/11
“Mais Engenheiros”. Governo chegou a cogitar importar profissionais para atuar no interior do país
A conclusão da maior parte das obras previstas para a Copa do Mundo, no ano que vem, e para a Olimpíada, em 2016, os atrasos nos processos de concessão à iniciativa privada de portos e aeroportos e o ritmo moderado de crescimento econômico do país são algumas das razões que explicam o afrouxamento do gargalo brasileiro de falta de mão de obra qualificada. Em debate realizado na tarde de ontem, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentaram estudos que contestam a tese de que faltam engenheiros no Brasil.   Segundo trabalho realizado pelos técnicos de Planejamento e Pesquisa do Ipea, a expectativa é que, até 2020, o número de engenheiros requeridos pelo mercado de trabalho formal deve variar entre 600 mil e 1,15 milhão de profissionais. Essa demanda seria atendida pela formação de profissionais, que cresceria na mesma proporção do desenvolvimento econômico. Em 2010, o Brasil formou 39.275 profissionais de diferentes ramos da engenharia e, em 2012, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), foram 54.758 profissionais formados em 39 diferentes tipos de engenharia em 2.223 instituições – um crescimento de 39,4% no número de formandos. Baixo nível. O estudo, no entanto, aponta que a percepção de alguns agentes econômicos sobre escassez de mão de obra em engenharia pode ser explicada pela baixa qualidade dos engenheiros formados, uma vez que, segundo o texto, “a evolução na quantidade não foi acompanhada pela mesma evolução na qualidade”. Ainda de acordo com o Ipea, apenas a partir de 2014 será possível medir o impacto no mercado causado pelos estudantes que, seguindo a onda do boom da engenharia, entraram nas universidades a partir de 2010.

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