Infecção no coração mata um entre cinco

Ator Luis Gustavo, de “Sai de Baixo”, está internado no Rio com o quadro

iG Minas Gerais | Andréa Juste |

O mundo dos micro-organismos pode ser realmente traiçoeiro. É difícil acreditar que uma extração de dente seja capaz de fazer com que os germes da boca cheguem ao coração, causando uma infecção conhecida como endocardite.   O problema, que pode levar à morte em 20% dos casos, ocorre quando bactérias ou fungos caem na circulação sanguínea e acometem válvulas do endocárdio, parte interna do coração, ou outras estruturas do órgão, segundo o cardiologista Estêvão Lanna Figueiredo, vice-presidente da Sociedade Mineira de Cardiologia (SMC) e coordenador serviço de cardiologia do Hospital Lifecenter, em Belo Horizonte. Esse foi o caso que levou à internação do ator de “Sai de Baixo” Luis Gustavo, 79, também no elenco da novela “Joia Rara”. Exames como o ecocardiograma apontaram o quadro que comprometeu a valva aórtica, prótese artificial implantada em julho de 2011. Além do risco em um procedimento cirúrgico dentário não acompanhado de antibióticos, pessoas que tenham algum tipo de prótese no coração, que já tiveram endocardite ou que tenham cardiopatia congênita (anormalidade no coração) são as que mais correm risco de desenvolver o problema, explica a médica Maria da Consolação Moreira, presidente da SMC. Sintomas. O ator deu entrada na Clínica São Vicente, na zona Sul do Rio de Janeiro, com febre e mal-estar, sintomas da endocardite. Ele deve permanecer internado por cerca de seis semanas, fazendo uso de antibióticos. “Como todo quadro infeccioso, há uma série de sintomas, como febre, calafrios, mal estar, falta de apetite, entre outros, dependendo da intensidade”, diz Figueiredo. Dessa forma, com o surgimento desses fatores, o especialista recomenda que o paciente vá ao médico investigar. “O diagnóstico é feito por exame de sangue e ecocardiograma”, explica. O tratamento da endocardite varia conforme o caso. Na maioria das vezes, são utilizados antibióticos de quatro a seis semanas. “Dependendo das complicações, é preciso trocar a válvula por uma artificial”, diz. Prevenção. Mesmo com os avanços no diagnóstico precoce, a orientação dos especialistas é investir na prevenção. “O paciente deve manter a melhor higiene possível da cavidade oral, além de tratar rapidamente toda infecção no organismo”, orienta a cardiologista Maria do Carmo Pereira Nunes, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “O problema é a bactéria circulando no sangue, colocando o paciente em risco”, afirma a médica, ressaltando que os pacientes com prótese artificial devem ficar ainda mais atentos. Além disso, é fundamental a interação entre os profissionais de saúde, afirma Figueiredo. “Se o dentista detectar que é preciso fazer um tratamento, ele deve saber se a pessoa tem um problema cardíaco, para que o paciente possa se consultar com o médico. Porém, às vezes é preciso extrair o dente amanhã, mas a consulta só está disponível para o mês que vem. Isso é um problema do setor privado de saúde também”, diz.

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