Sem fronteiras para o desenho

Artista mostra produção dos últimos anos em exposição

iG Minas Gerais | GUSTAVO ROCHA |

BINHOBARRETO
Grafite. “Nado Raso” mostra personagens de Binho Barreto
O grafite e o ambiente das galerias de arte se encontrarão quando o artista visual Binho Barreto abrir sua exposição “Nado Raso”, na Galeria de Arte do BDMG Cultura, hoje. Para o artista, que produz desde 1996, não há diferença entre o que ele faz nas paredes e muros das grandes cidades e aquilo que ele expõe em espaços consagrados das artes visuais. “O meu trabalho é uma coisa só. Nunca pensei nele de maneira apartada. O desenho é a interseção. A rua é a continuidade da galeria e vice-versa”, explica Binho. De uns anos pra cá, o grafite em Belo Horizonte tem demonstrado uma produção cada vez mais intensa. Binho acredita que isso tem a ver com o próprio movimento da cidade enquanto metrópole. Com o crescimento das grandes cidades, o número de grafiteiros cresceu. Segundo Binho: “O grafite vai disputar espaço com todas essas coisas que fazem a cidade um lugar mais árido. Nesse sentido, imagino que o grafite, as manifestações artísticas de um modo geral, são fundamentais. Existe muita demanda pela arte, porque o espaço da cidade está cada vez mais estressante. Então, a arte funciona como uma válvula de escape. Atualmente, temos muitos bens de consumo, muitos automóveis, muito concreto e pouco contato com a natureza. Meu grafite é uma forma de aproximar as pessoas do seu lado humano”. No entanto, apesar da progressiva produção dos artistas de rua, Binho alerta para que o desejo de mostrar o trabalho (que tem a ver com vaidade do artista em exibir seu trabalho) não seja superior a um entendimento de que o grafite é algo que deva dialogar com a cidade. “É um cuidado que cada um deve ter. Já existe muita poluição visual, e o artistas do grafite não devem se transformar também em algo que oprime ainda mais”, alerta Binho. A exposição “Nado Raso” traz trabalhos dos últimos três anos de Binho Barreto, que revelam a visão do artista sobre a temporalidade e os relacionamentos humanos. Serão 20 desenhos e fotos de grafites. Sendo uma parte deles, de rascunhos não-concluídos de trabalhos. “Gosto dos rascunhos porque são uma maneira de mostrar parte do processo, sou um artista que produz muito e tenho prazer nisso. Às vezes, as pessoas vão a uma exposição, veem o trabalho pronto e isso as distancia. Quis abrir meu processo como forma de aproximação e também tentar tirar a arte desse lugar de algo que alguém fez para ser admirado”, diz.   Agenda O QUÊ. Exposição “Nado Raso”, de Binho Barreto QUANDO. Abertura hoje, de 19h às 22h. Visitas de amanhã até 01 de dezembro, das 10h às 18h ONDE. Galeria BDMG Cultural (rua Bernardo Guimarães, 1.600, Lourdes) QUANTO. Gratuito

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