O presente em fragmentos

Séries recentes de fotografias e vídeos de João Castilho são expostas na mostra “Caos-mundo”, na Funarte-MG

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Joao Castilho
Vídeo. Em “Emboscada”, João Castilho apresenta um cenário em que a violência aparece representada por uma espécie de troca de tiros,
Caminhos abertos pela passagem recorrente de pessoas e animais aparecem em destaque no conjunto de fotos em preto e branco que João Castilho apresenta na série “Retirante” (2012), uma das sete presentes na exposição “Caos-mundo”, inaugurada a partir de hoje, na Funarte-MG. Essa, ao lado de outros trabalhos reunidos sob os títulos “A Errância, O Exílio” (2013), “Vade Retro”, “Morte Súbita”, “Mundo-cão”, somando-se a eles os vídeos “Emboscada” e “Abismo”, apresentam olhares sobre aspectos socais e políticos do mundo contemporâneo. “Nesses trabalhos há um entrelaçamento de pontos de vista meus com algumas ideias apresentadas pelo escritor, ensaísta, crítico e poeta Edouard Glissant. Embora seja francês, ele nasceu e cresceu na Martinica (ilha situada na região do Caribe), o que lhe proporcionou ter uma visão de mundo a partir de sua experiência nas Américas”, relata João Castilho, frisando assim a afinidade do autor com uma compreensão do mundo diferente daquela dos colonizadores. “Ele expressa uma perspectiva que busca refletir sobre eventos e acontecimentos que passam à margem de um posicionamento eurocêntrico. Há uma constante atenção para o encontro entre culturas e outros conceitos que estão nos trabalhos, como a questão da errância, do exílio, da violência e da desilusão”, acrescenta o fotógrafo. Apesar de produzidas durante a sua passagem por cidades de Minas Gerais, Castilho pontua que tal safra de criações não se propõe a retratar um lugar específico, seguindo uma direção oposta em comparação com o que realizou anteriormente em “Paisagem Submersa”, junto com Pedro Motta e Pedro David. “Não há nessas imagens traços que identifiquem Minas Gerais, por exemplo, porque são trabalhos que lidam com temas universais. Diferentemente de ‘Paisagem Submersa’, que conta a história dos atingidos pela construção de uma hidrelétrica no Vale do Jequitinhonha, essas obras não têm um localização exata no espaço e no tempo. Elas buscam muito mais refletir sobre aspectos da política contemporânea”, diz. Há ainda entre as obras expostas alguns pontos de contato, que sugerem, de acordo com ele, amplas possibilidades de diálogo. Para Castilho, a marca da violência, em gradações diversas, é um elemento comum que as conectam. “Isso aparece explícito, por exemplo, em ‘Morte Súbita’, na qual se veem imagens de pessoas alvejadas e que foram transmitidas pela televisão. Já em outros momentos isso é mais sutil, especialmente quando trato da errância e do exílio. Na série “Vade Retro” isso surge também quando me debruço sobre a ideia do homem incompleto e cindido em sua relação com a natureza”, observa o artista. “No vídeo ‘Emboscada’ se ouve uma espécie de troca de tiros, mas não se vê quem está atirando, nem quem é atingido. Esse cenário meio caótico serve de pano de fundo para todos os trabalhos”, resume.   Agenda o quê. Mostra “Caos-mundo” , de João Castilho quando. De hoje a 6/12 onde. Funarte-MG (rua Januária, 68, Floresta) quanto. Entrada franca

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