Baile eletrônico de debutante

Eletronika anuncia sua programação para a edição 2013, bastante voltada para experimentações sonoras e visuais

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

claudio pepper
Celebração. Os mineiros do Constantina aproveitam a participação no festival para comemorar os dez anos de atividades do grupo
Tradicionalmente, os 15 anos são comemorados com um baile de debutantes. No caso da 15° edição do festival Eletronika, o que se celebra é a maturidade de um formato que certamente mudou a cara dos eventos musicais na cidade e que se traduz numa espécie de retorno às raizes experimentais do evento, como sinaliza a programação divulgada em coletiva ontem, no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna. É lá que o festival será realizado, entre 28 de novembro e 1º de dezembro. “O Eletronika teve uma cara inicial, depois foi crescendo, em 2002, 2003, 2004. Essas três edições foram o auge do festival, atingindo um público grande, mais abrangente”, relembra Marcos Boffa, diretor artístico do evento, junto com Aluízer Malab. “De uma certa maneira, ficamos prisioneiros desse crescimento. Agora estamos num momento muito confortável de fazer essa introspecção do festival, trazer para um espaço mais intimista, valorizando as produções brasileiras, e criar esse ambiente que é mais interessante para a troca, para o crescimento dos artistas e para o público busca coisas bem frescas”, argumenta. Ou seja, o slogan histórico do evento, “um festival de novas tendências”, será exercitado com força máxima na edição deste ano. “O Eletronika é o festival mais antigo no calendário brasileiro, no que diz respeito à vanguarda, às pesquisas musicais”, lembra o curador Chico Dub. “A programação musical deste ano se pauta por isso: trabalhos que subvertem cânones e linguagens já estabelecidos, em diversos estilos, como o pop, a MPB, a própria música eletrônica”, diz. O público poderá, portanto, entrar em contato com trabalhos francamente experimentais, como os shows dos grupos paulistas Elma e Passo Torto; o universo sombrio do carioca Bemônio, os sintetizadores vintage do pernambucano Grassmass; e estrangeiros como o inglês Demdike Stare e o alemão Jan Jelinek. O curador também destaca a presença do combo carioca Opala, liderado por Lucas de Paiva. “Um gênio, que montou esse projeto de synth-pop com a cantora Maria Luiza Jobim (filha mais nova do Tom). É o tipo de artista que me deixa muito curioso para saber o que ele estará fazendo daqui a cinco anos”, elogia. A fértil produção mineira será representada pelo Constantina, que comemora dez anos (“Faremos um show que abrangerá nossa história, mas que também vai apontar a direção do que vem”, garantiu Daniel Nunes, baterista do grupo), e pelo encontro, inédito, entre Barulhista e Rafael Miranda, este último vindo de Poços de Caldas, citada por Dub como um dos polos mais criativos da produção experimental brasileira. Através da parceria com a SIMBIO, três coletivos de produção artística, MIR, Fósforo e 425crina! apresentarão trabalhos no festival. De certa forma são filhotes do Eletronika, prova do caráter formativo destes 15 anos do festival, artistas que, como plateia, assistiram e se inspiraram em atrações trazidas em outras edições do evento. “É da natureza do festival, todos deveriam ter isso em seus DNAs. Sobretudo os que têm lei de incentivo como mecanismo de captação. É um dever quase ético de atuarem como uma instância de formação”, defende Boffa.   Parceria O Eletronika deste ano também será sede da 3° edição do SIMBIO, projeto de artes visuais que aborda temas como arte colaborativa e simbiose de formatos artísticos, idealizado por Jeff Santos. Agenda O QUÊ. Festival Eletronika QUANDO. De 28 de novembro até 1° de dezembro ONDE. Teatro Oi Futuro Klauss Vianna (av. Afonso pena, 4001, Cruzeiro) QUANTO. R$10 ( inteira) R$5 (meia entrada)

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