PMs são suspeitos de ameaçar testemunhas de assassinato

Pessoas que foram ouvidas em processo contra cabo da corporação denunciaram atos ao MPMG

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

DIARIO DO ACO / DIVULGAÇÃO
Apurações. Morto em março deste ano, Rodrigo Neto cobrava apuração de crimes envolvendo policiais
Pelo menos seis policiais militares são investigados por suspeita de ameaçar testemunhas de um dos 14 crimes apurados pelo Departamento de Investigação de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em Ipatinga, no Vale do Aço, após os assassinatos dos jornalistas Rodrigo Neto e Walgney Carvalho, no início deste ano. Os militares também são acusados de coagir profissionais que faziam a cobertura da audiência de instrução na ação contra o cabo da Polícia Militar (PM) Victor Andrade, preso em abril e acusado pela morte de Cleidson Mendes do Nascimento, 26, conhecido como Cabeça, em 2011. A investigação dos militares, que são testemunhas de defesa do cabo Victor, está sendo realizada pela 12ª Região da PM – responsável por Ipatinga – a pedido do Ministério Público de Minas (MPMG). No dia 22 de outubro, durante a audiência que acabou cancelada e transferida para a última sexta, o promotor Francisco Ângelo Silva ouviu os relatos de ameaças. Em meio ao clima de intimidação e muito medo, pelo menos uma das principais testemunhas de acusação, parente de Cabeça, foi inserida no programa de proteção da Polícia Civil. “Depois da morte do Cleidson, emagreci muito e mudei a cor do cabelo. Passaram de carro em frente à minha casa e disseram que eu mudei de cara, mas não de endereço”, contou a testemunha, que já teria deixado a cidade de Ipatinga. O promotor Francisco Ângelo confirmou ter recebido as denúncias e disse que aguarda a conclusão das investigações feitas pela PM para dar prosseguimento ou não na denúncia. Responsável pelo procedimento e comandante da 12ª Região da PM, o coronel Jordão Bueno não deu detalhes sobre a investigação e limitou-se a afirmar que as apurações correm “conforme manda a lei”. “Estamos ouvindo todos os envolvidos, e as conclusões serão remetidas ao MPMG”, relatou. Jornalistas. Oito meses após as mortes de dois jornalistas, os profissionais da imprensa do Vale do Aço ainda estão com medo. Três deles denunciaram ao MPMG que receberam ameaças, e um dos profissionais contou ter sido seguido e fotografado por um militar à paisana. “Estávamos na audiência e começamos a perceber os olhares e comentários dos PMs, que são amigos do cabo Victor. Isso soou como intimidação”, disse uma jornalista, que pediu anonimato. “Estou trabalhando em casa. O MPMG pediu para termos cuidado, mas estou com medo”, disse outro jornalista da cidade. Advogado do suspeito de matar jornalista promete surpresas Para a audiência de instrução no caso que trata dos assassinatos do jornalista Rodrigo Neto e do fotógrafo Walgney Carvalho, marcada para 9 de dezembro, o advogado Elizeu Borges, que representa o investigador Lúcio Lírio Leal, preso como suspeito do crime, afirma que surpresas sobre as mortes dos profissionais de imprensa serão reveladas. O defensor informou que já pediu a revogação da prisão temporária de Leal. De acordo com o advogado, as ligações telefônicas entre Leal e o outro suspeito, Alessandro Neves Augusto, o Pitote, que também está preso, só evidenciaram a amizade dos dois, que já era antiga. No entanto, Borges deu a entender que Pitote poderia ser o único culpado. Na visão do advogado, o carro de Leal, registrado por câmeras de segurança na cena do crime, poderia estar emprestado. “Ele tinha o costume de emprestar o carro para o Pitote”, disse. A reportagem tentou localizar o advogado de Pitote, mas ele não foi encontrado. Saiba mais Moto Verde. O cabo Victor Andrade também é suspeito de envolvimento nos chamados Crimes da Moto Verde – assassinatos de pessoas envolvidas com a criminalidade por um homem em uma moto verde, entre 2007 e 2008. Suspeito livre. Na última quarta-feira, o sargento da PM Michel Luiz da Silva, que estava preso desde junho acusado de matar um morador de rua, foi solto por uma liminar do Superior Tribunal de Justiça. O caso foi um dos 14 apurados pelo DHPP em Ipatinga.  

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