Jovem que matou bancário no Prado teria brindado o crime, diz delegado

Crime aconteceu no início do mês; suspeito teria sido abusado pela vítima quando moraram juntos; jovem já foi preso por tráfico de drogas

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

Jovem de 24 anos que matou um bancário no bairro Prado, na região Oeste da capital, no início do mês, entregou-se à polícia e foi apresentado à imprensa nesta quarta-feira (6). Delegado do caso informou que depois de cometer o assassinato, suspeito teria brindado o crime. Rafael Douglas Gonçalves dos Santos, de 24 anos, confessou ter matado o bancário Ronaldo de Araújo Caldas, de 46 anos, no dia 10 de outubro, na casa da vítima. Segundo Santos, no dia do crime, ele teria ido na casa de Caldas buscar uma blusa de frio e encontrou o homem saindo do banheiro apenas de toalha. Caldas teria tentado agarrá-lo. Para se defender, Santos começou a enforcar o homem, que acabou desmaiando. Mesmo assim, ele pegou uma vassoura e utilizou o cabo para pressionar ainda mais o pescoço de Caldas. Com a força, o cabo do utensílio quebrou no pescoço da vítima. Santos pegou as partes da vassoura e as enfiou no ânus de Caldas. Além disso, escreveu “Saúde!!!!!!” em um pedaço de papel e deixou entre os dois pedaços de madeira. Cinzas de cigarro foram encontradas sobre o corpo. “Para mim, tudo leva a crer que ele brindou a morte com um cigarro e pôs o bilhete”, contou o delegado Marcelo Manna da Delegacia de Homicídios Centro-Sul. A Polícia Civil informou ainda que sumiram da casa R$ 660, que teriam sido deixado pela irmã da vítima para ser depositado. Uma televisão e cosméticos também teriam sido roubados. Depois de cometer o crime, Santos foi se refugiar em uma clínica de recuperação para viciados em drogas, onde já teria ficado internado, e por lá confessou o crime. Orientado por pessoas da clínica, entregou-se quatro dias após o assassinato. Ele ficou solto por ter passado o flagrante, mas depois, com o pedido de prisão temporária expedido, foi detido no dia 29 de outubro, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Santos alega que cometeu o crime por vingança. Ele teria sido abusado por Caldas quando tinha 14 anos e recentemente suspeitava que o homem abusava de seus filhos gêmeos, de 3 anos. O contato entre vítima e suspeito é antigo. O irmão mais velho de Santos trabalhou junto com o bancário e chegou a morar com ele. Como Santos se envolveu com drogas, a mãe dele pediu que ele fosse morar com o irmão e lá ele teria sido abusado. Depois do episódio, ele se mudou e foi morar na favela do Buraco Quente, na Pedreira Prado Lopes, na região Noroeste da capital. Novamente se envolveu com o tráfico de drogas e acabou sendo preso em 2008. Quando saiu da cadeia, conheceu uma mulher e teve os gêmeos e uma menina com ela. Os dois se separaram e ele foi morar no Rio de Janeiro. Quando retornou, no início do ano, notou que os filhos tinham um comportamento estranho: eles se beijavam e Santos teria os encontrado sem roupa em um quarto sozinhos. Além disso, o irmão teria contado que teria visto Caldas tomar banho com os meninos. Isso porque, o homem era padrinho de um dos filhos de Santos, que foi obrigado pela mãe como retribuição,porque Caldas ajudava ela financeiramente. A mãe já tinha trabalhado como empregada na casa da vítima. “Isso (homicídio) é culpa da minha mãe, tanto que ela estava com o cartão do Ronaldo quando ele morreu, porque ele ajudava ela”, desabafou. Santos, que disse ter se arrependido do crime e já ter pedido perdão a Deus, está preso no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira. A prisão temporária dele expira em 30 dias.

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