Belo Horizonte tem mais de um milhão de solteiros

Segundo o relatório, dos mais de 2,3 milhões de belo-horizontinos, 1,09 milhão não são casados

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

Quase metade dos belo-horizontinos são solteiros. O dado integra o relatório “Censo Demográfico 2010 – Levantamento de Informações Territoriais: Aglomerados Subnormais”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)  nesta quarta-feira (6). Segundo o relatório, dos mais de 2,3 milhões de belo-horizontinos, 1,09 milhão não são casados. Isso significa que 46 % dos residentes da capital mineira não foram até o cartório para oficializar uma união. O empresário, Thiago, de 23 anos, que pediu para que seu sobrenome não fosse divulgado, é um dos jovens que está solteiro e feliz. “Há cinco anos, eu estou solteiro. Já até apareceram pessoas legais, mas estou aproveitando a fase”, revela. Porém, o empresário já amadurece a ideia de começar um relacionamento sério. “A farra também cansa”, conta. Para o professor de sociologia da Pontifícia Universidade de Minas Gerais (Puc Minas), Juracy Amaral, a ascensão econômica, o trabalho, a redução do preconceito e a globalização são aspectos que podem explicar a “solteirisse” dos belo-horizontinos. Amaral esclarece que, antigamente, o casamento significava uma melhora econômica. Além disso, as pessoas desempenhavam papéis como: mães ou pais de família. “Hoje, os indivíduos se reconhecem como sujeitos que têm a capacidade de viverem sozinhos”, explica o especialista. A mudança de comportamento influi, inclusive, no mercado imobiliário. “No Rio de Janeiro é comum apartamentos de só um quarto. O mercado imobiliário de Belo Horizonte também está se voltando para isso”, completa. Esse é o caso de Alberto*, um jovem de 24 anos, que preferiu não ter a identidade revelada. Ele é homossexual e afirma ser solteiro não significa ser infeliz. “As pessoas não precisam estar com alguém para serem felizes, sou muito feliz sozinho. Não temos que encontrar alguém que nos complete, somos completos por si só”, revela. Em casas separadas Para Amaral, no entanto, mesmo que haja muitos solteiros, os casamentos estão melhor alicerçados. Os relacionamentos, segundo o professor, estão mais pautados em sentimentos fortes. “O amor é mais verdadeiro quando as pessoas não se unem por questões financeiras”, disse. Além disso, ele alerta que um relacionamento não tem como premissa o casamento. “Estar junto não implica viver sob o mesmo teto. Morar junto pode ferir a individualidade e a intimidade”, conclui. 

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