TIM é acusada de desviar as ligações para a caixa postal

Clientes dizem que problema começou há 15 dias, quando serviço passou a ser tarifado

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

douglas magno
Não toca. Pablo recebe mensagens pedindo para que acesse a caixa postal para ouvir recados
Depois de ser multada em R$ 5 milhões pela Justiça de São Paulo por derrubar as ligações e cobrar pela nova chamada, a TIM é acusada pelos clientes de cometer uma nova irregularidade: não completar as ligações e remeter diretamente para a caixa de mensagens. O problema, segundo os usuários, começou há cerca de 15 dias, quando, por coincidência, o serviço de acesso às mensagens de voz começou a ser cobrado. “A pessoa me liga, o telefone não toca e eu só recebo uma mensagem avisando para ligar para a caixa postal e escutar o recado”, reclama o recepcionista Pablo Henrique Vieira.   Para se certificar de que o telefone realmente não tocava e que as chamadas iam direto para a caixa postal, o recepcionista pediu ao irmão que ligasse para ele. Ambos estavam na mesma sala e o celular de Vieira indicava que o sinal estava normal. Mesmo assim, o celular não tocou e a chamada foi direto para a caixa postal. O irmão não gravou recado algum, mas Vieira recebeu uma mensagem pedindo que acessasse a caixa postal. Mensagem enviada pela TIM aos clientes informa que o acesso ao serviço de mensagem de voz começou a ser cobrado em 21 de outubro. O serviço custa R$ 5,90 por mês e o cliente só paga no mês que usar. Se acessar uma única vez, a cobrança já é feita pelo mês inteiro. Os clientes relatam que muitas vezes acessam a caixa postal – e pagam por isso –, mas não encontram nenhum recado, apesar do aviso da operadora de que há mensagem gravada. Por meio de nota, a TIM informa que está analisando as queixas dos clientes e diz que não há relação entre a falha do serviço e a cobrança pelo acesso à caixa postal. “De antemão, a empresa reitera que não há qualquer relação entre as falhas mencionadas e o novo formato do serviço de caixa postal. Ressalta ainda que vem investindo fortemente na ampliação e melhorias da sua rede para oferecer ainda mais qualidade de serviço para os consumidores”, diz o texto da operadora. Vieira não está sozinho ao reclamar. O contador João Guimarães afirma que é frequente não conseguir completar as ligações para telefones da mesma operadora e diz que as ligações continuam caindo. “São raras as vezes em que ligo e as chamadas não caem na secretária eletrônica. Além disso, não são raras as vezes em que as ligações caem e o telefone fica mudo, custando a reativar. Antes ficava bem bravo, mas decidi relaxar, uma vez que nada posso fazer”, disse. Para ele, a cobrança pelo uso da caixa postal é “incabível, pois os serviços são ineficientes”. “Antes de instituir novas cobranças, a TIM deveria melhorar os serviços a que se propõe”, desabafa Guimarães. O servente Misalison Amorim, 24, é mais um cliente insatisfeito com os serviços prestados pela mesma operadora. Ele conta que optou pela TIM para garantir economia, uma vez que a maioria de seus parentes e amigos usa os serviços da mesma empresa. “Mas o barato está saindo mais caro que a encomenda. Diariamente recebo mensagens de pessoas que me ligaram de outras operadoras e, ao retornar, acabo pagando mais caro pelas ligações”, diz. (Com Jáder Rezende) Reclamação Como fazer. Quem quiser formalizar a reclamação deve procurar a operadora e anotar o número de protocolo. Caso a empresa não resolva o problema, pode procurar a Anatel pelo 1331. Queixa tem que ser embasada e levada ao Procon e Anatel O coordenador do Procon Assembleia, Marcelo Barbosa, alerta que as queixas dos clientes da TIM devem ser devidamente embasadas e encaminhadas aos órgãos de defesa do consumidor e também à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para ele, a instituição da cobrança pelo uso da caixa postal é abusiva caso os serviços sejam ineficientes. “Se o serviço não for perfeito a cobrança passa a ser incoerente e abusiva. É o mesmo raciocínio que fazemos com os números de telefone de serviços de apoio aos clientes, os famosos SACs, que muitas vezes são oferecidos e cobrados”, diz. A Anatel foi procurada, mas não respondeu se tem conhecimento do problema ou qual o melhor procedimento para o consumidor que se sentir lesado.

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