Perrella articula e consegue barrar criação da CPI da CBF

A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, foi ao Senado para atuar na retirada dos apoios

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

LIA DE PAULA/AGÊNCIA SENADO - 10.8.2011
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O governo federal conseguiu nesta terça-feira enterrar a segunda tentativa neste ano de criação no Congresso de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que poderia investigar as obras da Copa do Mundo de 2014. Após forte atuação nos bastidores do governo federal e de cartolas de futebol, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que não seria criada a CPI das Federações por falta de apoios suficientes. A decisão gerou um bate-boca de senadores em plenário. O senador Mário Couto (PSDB-PA), autor do pedido de CPI, havia apresentado na semana passada 33 assinaturas para se abrir a apuração, seis a mais do que o mínimo necessário pelo regimento interno. O objetivo era investigar supostas irregularidades na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e nas federações estaduais de futebol, mas também previa a apuração de denúncias de mau uso de dinheiro público nas obras da Copa do Mundo. Pelas regras da Casa, os senadores tinham até a meia-noite desta terça-feira para retirar as assinaturas. A ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, foi ao Senado para atuar na retirada dos apoios. A incursão foi bem-sucedida: nove senadores deixaram de subscrever a CPI, o que inviabilizou a criação da comissão. Retiraram seus nomes os senadores tucanos, partido do autor do pedido, Cícero Lucena (PB) e Cássio Cunha Lima (PB); dois senadores do Democratas, Wilder Morais (GO) e Maria do Carmo Alves (SE); três do PMDB, Lobão Filho (MA), João Alberto (MA) e Clésio Andrade (MG); além de Ivo Cassol (PP-RO) e Paulo Davim (PV-RN). Após a decisão anunciada por Renan Calheiros, Mário Couto disse que gostaria de saber quem foram os senadores que não querem fiscalizar o governo, a CBF "corrupta e as federações corruptas". Ele contou que o senador Zezé Perrella (PDT-MG), ex-presidente do Cruzeiro, procurou alguns senadores para solicitar a retirada do apoio. Ele chamou-o de "amigo" e insinuou que ele recebeu uma ligação de cartolas da CBF. "Os senadores não querem, danem-se os senadores. Só quero dizer à Nação os nomes do senadores que não querem deixar aqui fazer CPI para investigar as verbas públicas, não é verba de ninguém. Hoje o Senado não tem moral para protocolar uma CPI, de poder fiscalizar as verbas públicas nesse País, mesmo todos sabendo que há irregularidades", acusou o senador tucano. Em réplica, Zezé Perrella admitiu ter atuado, sim, para retirar as assinaturas. Ele disse que a motivação de Mário Couto foi uma "questão pontual": suspeitas de irregularidades que envolveriam o tucano com a Federação de Futebol do Pará. Por isso, destacou o senador mineiro, o colega queria abrir a CPI no Senado. "Estamos na véspera da Copa do Mundo. No meu entendimento, uma CPI nesse momento na CBF não sei bom se é para o futebol brasileiro. Respeito o senador Mário Couto, homem de bem, homem honrado", respondeu ele, que também revelou que, ao invés de ter recebido telefonema, ligou para dirigentes de futebol dizendo que trabalharia contra a comissão de investigação. Mário Couto rebateu o colega de Senado. "Eu lhe respeitava, eu lhe considerava, senador. Depois do seu ato, eu não posso lhe considerar. O senhor não quis CPI porque foi presidente de um clube famoso e precisa da CBF. É ligado a ela, senador", afirmou. Baixando o tom, o tucano também acusou Zezé Perrella de passar a noite inteira "bisbilhotando" senadores para retirar os apoios. Antes do recesso dos parlamentares, em julho, outro parlamentar do PSDB tentou, sem sucesso, levar adiante a criação de uma CPI para investigar irregularidades no uso de recursos federais para a Copa. O deputado Izalci Lucas (DF) pediu uma CPI mista - composta por deputados e senadores -, mas a comissão não foi criada porque parlamentares também retiraram o apoio.

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