CBDA investe pouco e dá as costas para futuro da natação

Maior parte dos recursos é destinada apenas aos atletas considerados tops da modalidade

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Victor R. Caivano - AP/27.4.2012
Apoio. Atletas da natação brasileira reclamam da falta de investimento e critério na divisão dos patrocínios por parte da Confederação
Não é de hoje que a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) recebe críticas sobre o direcionamento do seu investimento. Desde 2008, o maior nome da natação brasileira, César Cielo, já criticava a entidade sobre a falta de atenção com a base. “Em números de atletas, a gente andou para trás e a parte estrutural só piorou”, afirmou o atleta, à época, ao jornal “Estado de São Paulo”. Cinco anos depois, números oficiais da CBDA, publicados no Diário Oficial da União, em fevereiro desse ano, mostram que o descontentamento dos atletas permanece, e é geral. Dos cerca de R$ 28 milhões recebidos no ano passado, R$ 15,8 milhões foram aplicados em projetos de natação, polo aquático, águas abertas, nado sincronizado e saltos ornamentais. O valor é proveniente de patrocínios e da Lei Agnelo/Piva (observe quadro abaixo). Do valor investido, a natação recebeu R$ 7,5 milhões, dando motivo para as críticas que se estendem a nadadores, treinadores e especialistas no assunto. “Há mais de seis anos, a CBDA vem se preocupando muito com a elite da natação em detrimento de um conceito que deve ser a base, de traçar metas a longo prazo, planejar e gerenciar os esportes aquáticos em nível nacional. O nível técnico elevado da natação brasileira se resume a poucas dezenas de atletas”, alerta Julian Romero, jornalista da “Swim It Up”, revista especializada em natação. Enquanto esses atletas continuam recebendo atenção, quem começa a carreira é esquecido pela entidade, que prefere investir naqueles que podem lhe dar maior divulgação por meio de medalhas em torneios internacionais. A mentalidade clubística continua imperando, mas mesmo assim os clubes sofrem. Minas Tênis Clube e Pinheiros, dois dos maiores do país, precisam de recursos da Lei de Incentivo ao Esporte para tocar seus projetos. Sem resposta. A reportagem de O TEMPO procurou César Cielo, a CBDA e o Ministério do Esporte para falar sobre o assunto. Cielo afirmou “não ter agenda”, CBDA não respondeu aos e-mails com as perguntas e questionamentos enviados pela reportagem. O Ministério do Esporte afirmou que não repassa verba anual para a CBDA, mas faz convênios com a entidade. Os recursos da Lei Agnelo/Piva são passados pelo COB.

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