Por uma mineiridade global

Pedro Morais faz show de lançamento de seu terceiro álbum, “Vertigem”, repleto de novas sonoridades, hoje à noite

iG Minas Gerais | THIAGO PEREIRA |

CRISTIANO TRAD/O TEMPO
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Pedro Morais está fiel ao propósito de se desacomodar do trono tranquilo de artista da MPB mineira. Um gênero que, concordamos os dois, é de difícil tradução, mas de fácil entendimento. “Queria sair da zona de conforto, trazer um acúmulo maior de inquietação. Isso é fundamental para o músico, senão ele vira um artista coxinha, bobo, vira uma coisa qualquer que alimenta um público acostumado com a mesmice”, dispara, certeiro. O resultado prático dessa inquietação é “Vertigem”, seu terceiro e mais ousado álbum, que ele lança hoje no Teatro Bradesco. Traduzido nos timbres tortos, na onipresença de guitarras, na capa psicodélica, está um artista que saiu de si e do meio que habita, literalmente. O disco foi gestado em São Paulo com a assessoria de Gustavo Ruiz, guitarrista da banda de Tulipa Ruiz. “Eu estava sentindo a necessidade de mudar o discurso. Faço canção há muitos anos e o lance de fazer um som sempre baseado no violão estava me preocupando”, revela. Para moldar as novas sonoridades, ele procurou Ruiz e com ele arquitetou uma nova banda, com nomes mais “cosmopolitas” como Dustán Galas (guitarrista do Cidadão Instigado), Lucas Martins (baixista de Curumim), o baterista Samuel Fraga e o tecladista André Lima. “Não queria nada organizadinho, queria uma coisa mais tosca, chegar e tocar, ver o que as músicas pedem”, argumenta. E as canções pediram mais espaço, pediram vazios. “Vivemos aqui uma cultura harmônica excessiva”, constata o músico. “Temos uma grande tradição das harmonias aprofundadas, o som cheio, o pessoal daqui é bem desenvolvido nesse aspecto. Com os esvaziamentos nos arranjos, todo mundo ganha espaço para pintar. E fica bonito”, argumenta. O fato da banda espelhar várias identidades musicais (somadas às suas “camadas mineiras”, como diz) auxiliou Morais a encontrar uma nova para si. “O Rômulo Fróes me disse uma coisa muito interessante”, comenta, abrindo um papo que teve com o músico paulista. “Ele disse que nós, mineiros, temos tudo de melhor e tudo de ruim. Porque temos Milton, o Clube Da Esquina, uma cultura inacreditavelmente boa; mas ao mesmo tempo somos obrigados a viver sob essa sombra. Não é à toa, já que eles fizeram uma coisa de personalidade muito forte, atemporal. Mas se não soubermos fugir um pouco disso, pode ser prejudicial”, explica. O resultado foi o que ele chama de uma “horrorizadinha” nas composições. “Tinha uma leva de músicas meio cabeçudas, cheias de informação. Dei uma simplificada, ficou tudo mais cru”, afirma. E assim os fãs do Pedro Morais, cancionista típico da MPB, tem em “Vertigem” uma ótima chance de se perder um pouquinho, se desorientar, assim como o músico. “É uma chance de mostrar a esse público uma nova faceta, e também de agregar um novo público. Quero misturar as pessoas na plateia, buscar uma compreensão mais global. Eu não estou fazendo nenhuma mentira”, garante. Agenda O QUÊ . Pedro Morais, lançamento do CD “Vertigem”. QUANDO . Hoje, às 20h30 ONDE . Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244 - Lourdes) QUANTO. R$30 Em casa “Vertigem” também traz parcerias com talentos locais, como na faixa-título, parceria com Francesco Napoli. “Nuvem”, feita com a banda Falcatrua conta com vocais de Juliana Perdigão. A belíssima capa do disco é assinada pela produtora visual 45 Jujubas.

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