Estratégias de conquista e força-tarefa

Especialistas de todas as áreas trabalham para criar o cenário completo de “Battlefield 4”, e nova versão é pensada

iG Minas Gerais | David Straitfeld |

CASPER HEDBERG
Da esquerda para a direita, Patrick Bach, Patrick Soderlund e Karl Magnus Troedsson, executivos da DICE
Nova York, Eua.  A receita da DICE para o “Battlefield 4” é criar uma caixa de areia virtual, um ambiente de forma livre no qual – graças à internet e às conexões de alta velocidade – até 64 amigos podem se juntar em equipes ou competir. O jogo será novo, ainda que familiar, estonteante, embora confortável, e violento, ainda que simples. Isso não é pouca coisa e talvez beire o impossível para um cara cujos comandantes disseram que era um soldado tão ruim que nunca seria alguém na vida real.   “Parecia que minha experiência militar não estava acontecendo de verdade”, afirmou Bach, cuja intensidade é disfarçada com piadas. “A Suécia é um país neutro. O que um inimigo iria querer de nós, uma fábrica da Volvo? Não há nada em jogo por aqui”. Na verdade, agora há muito dinheiro em jogo. O “Grand Theft Auto V”, lançado em setembro pela Take-Two Interactive Software, faturou US$ 800 milhões no primeiro dia, um recorde para a indústria. O “Grand Theft Auto” deixou há muito tempo suas raízes como um jogo imperfeito de ação e aventura, para se tornar um fenômeno cultural. A Electronic Arts ficaria feliz com um pouco menos para o “Battlefield”, mas precisa de ao menos um grande sucesso. O jogo menos badalado da empresa “Star Wars: The Old Republic” testou um esquema de assinaturas no ano passado e foi um fracasso. Com rumores de que tenha custado mais de US$ 100 milhões, ele perdeu imediatamente um terço dos jogadores. “A parte técnica e o jogo estavam em ordem”, afirmou Gibeau, o executivo da EA. “Mas nós erramos no modelo de negócio”. Em um dos cantos do escritório da DICE, um programador brincava com a face digital do ator Michael K. Williams (Omar, de “The Wire”), que interpreta um dos soldados dos Estados Unidos. A cada momento, o rosto de Williams se decompunha em dados e voltava a se reconstruir. O objetivo era deixá-lo suado. Salvar o mundo é barra pesada. Outro programador tentava se entender com o projeto de um navio. As equipes precisam ser capazes de subir ao deck de cima, mas não havia escadas no navio de verdade. Como em um passe de mágica, uma escada foi acrescentada. Ainda bem que a autenticidade não é necessária por aqui. “Temos especialistas de todas as áreas trabalhando para criar um cenário completo”, afirmou Bach. “Às vezes, comparo isso à construção das pirâmides”. Pairando sobre essas preocupações, há uma questão: o que poderia tornar o “Battlefield 5” – que deve ser lançado daqui a poucos anos – algo ainda mais legal que o Battlefield 4? “Mais detalhes, mais extras, mais destruição”, afirmou Bach. “Todo jogo precisa ser a grande novidade do momento”.

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