Diálogos sensíveis por meio de imagens e visões de mundo

Coletivo Bomba Suicida apresenta dois espetáculos solo em programação dupla do FID

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

SARA MOUTINHO
Encontro. Luís Garcia promove um “encontro” de dois escritores em seu espetáculo
O artista como fruto de seu meio e expoente de seu tempo tem sido tema recorrente nas produções das artes cênicas produzidas em Belo Horizonte, em várias partes do país e do mundo. Quando se trata de trabalhos de apenas um intérprete, a tendência é ainda mais forte porque fica mais difícil dissociar aquele que se apresenta de sua própria história. Os trabalhos de Marlene Freitas Monteiro e de Luís Garcia, do coletivo Bomba Suicida, no entanto, parecem apontar para outra direção. “A minha comunicação é por meio da dança. Ela é inevitavelmente artesanal, afinal a pessoa está lá dançando. Mas eu particularmente não busco expor a minha vida de modo a me aproximar com o público. Mesmo que eu reconheça que com o trabalho sendo aberto haja a possibilidade dessa aproximação”, explica Marlene. Marlene apresenta “Guintche”, após “A Primeira Dança para Urizen”, de seu companheiro de duo, o português, Luís Garcia hoje às 20h, na Funarte. Trata-se de um programa duplo – é necessária a compra de apenas um ingresso. O espetáculo de Marlene surgiu de uma imagem provinda das sensações causadas por um concerto de música, essa imagem desenhada algumas vezes e transformada em estímulo para construção de seu espetáculo. Guintche é uma palavra do vocabulário de Cabo Verde, país de origem da artista e tem três possíveis significados. “Um pássaro, uma prostituta ou uma pessoa que vive sem medir as consequências, sem pensar no presente ou no passado”, garante Marlene. Já “A Primeira Dança de Urizen”, de Luís Garcia, é o “encontro” de dois escritores, o expoente inglês do Romantismo William Blake e o português Valter Hugo Mãe. “Aparentemente são dois escritores que não dialogam. Blake constrói uma narrativa mitológica. Já Valter é um escritor que tem sensibilidade, intuição. Cada frase sua é marcada por isso. Busquei construir uma narrativa que mostra um super-humano, por meio de movimentos muito rápidos e precisos, trazendo uma ideia mais irreal. Eu prefiro isso a trabalhar com a realidade”, explica Luís. O solo de Luís dura apenas 15 minutos. Segundo ele: “Eu gosto desse formato breve, dessa duração. É possível comprimir uma ideia e explorar em pouco tempo, me obrigo a ser mais conciso e fazer o trabalho com menos ornamentos”, avalia Garcia. O FID segue até o dia 10 de novembro.   Agenda O quê. Programa duplo: “A Primeira Dança de Urizen” e “Guintche” Quando . Hoje às 20h. Onde. Funarte (rua Januária, 68, Floresta) Quanto. R$4 e R$2 (meia-entrada)

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