Com criação de cotas, siglas já começam “caça” aos negros

Partidos preveem que filiados “engajados” de descendência afro-brasileira passarão a ser disputados

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Arquivo pessoal
O cientista político Moisés Augusto espera polêmica com a cota
De olho na criação de uma possível cota para parlamentares negros na Câmara dos Deputados, nas Assembleias e nas Câmaras Municipais, os partidos já planejam investir mais nas suas respectivas alas afro e preveem uma verdadeira caça a lideranças negras, principalmente em periferias, que possam ser moldadas para se transformarem em candidatos. Dentro da maioria das legendas, o movimento negro ainda é inexpressivo, segundo reconhecem os próprios militantes.   Para eles, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 116 seria uma forma de fortalecer essas lideranças e as reivindicações de igualdade racial e de oportunidades. O PSDB tenta convencer duas lideranças da capital a serem candidatos a deputado estadual. O presidente nacional da ala negra da sigla – Tucanafro – , Juvenal Araújo, no entanto, não revela os nomes temendo que outras legendas se interessem pelas lideranças com perfil político. “Todos os partidos vão procurar lideranças negras com tino político, que hoje são restritas. Com a criação das cotas, não faltarão pretendentes para se candidatar. Hoje, os negros são, em sua maioria, líderes e agentes comunitários usados para pedir votos. Não são vistos como candidatos”. O Tucanafro foi criado há seis meses no Estado e ainda é tímido, com 300 membros. No PMDB, o número é o dobro, 600, apesar de o partido não ter hoje nenhum representante negro na Assembleia ou na Câmara. Segundo o presidente do PMDB Afro Brasileiro em Minas, Vanderlei Lourenço, a aprovação da PEC irá estimular a busca por candidatos com esse perfil. “Os partidos não se preocupam muito com os negros que, agora, passam a ser disputados”, avalia. O PT afirma que já reserva 20% das vagas para disputas das executivas nacional e estadual e para candidatos aos Legislativos. “Essa discussão no partido está avançada. Historicamente, temos uma grande militância negra. Vamos investir ainda mais nessas lideranças”, disse Cleide Hilda de Lima Souza, secretaria estadual do combate ao racismo do PT. No PSB, o movimento ainda engatinha. A ala negra é restrita à capital mineira e está se organizando para criar outras “células” no Estado. Segundo o secretário da igualdade racial do PSB da capital, Alessandro Otávio de Souza, atualmente, o grupo tem 40 pessoas. “Iremos lançar algum companheiro a deputado estadual ou federal. Neste mês, faremos uma reunião em Santa Luzia para ampliar o nosso quadro e força”. O partido tem um deputado federal negro, o suplente mineiro Isaías Silvestre. Tramitação. Na última semana, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o texto que prevê destinar parte das vagas nos Legislativos a negros e pardos. A cota corresponderá a dois terços do percentual da população que se declarou negra ou parda no último censo do IBGE. Uma comissão especial vai ser criada para discutir a matéria. Se aprovada, terá que passar por votações na Casa e no Senado. As alas negras PSDB: O Tucanafro está em 15 Estados. Em Minas, são 300 membros. PMDB:  São 600 militantes mineiros. Hoje, a legenda enxerga seis lideranças que podem ser lançadas à Assembleia. PT:  A sigla já destina 20% para negros para disputa de suas executivas e dos candidatos ao Parlamento. PSB : O partido hoje tem um grupo municipal, mas se organiza para criar o movimento em Minas. Em BH, são cerca de 40 membros. Polêmica Repercussão. Líderes do PDT, PSD e PR declararam, logo após a aprovação do texto na CCJ da Câmara dos Deputados, que a proposta deverá enfrentar resistência. O PT apoia a iniciativa.

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