Espaço pode ir para crianças

Coordenadores de ocupação cultural em prédio propõem nova destinação para imóvel da Fhemig

iG Minas Gerais | Bernardo Miranda |

PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Utilização. Integrantes de ocupação disseram, em reunião com o governo, que espaço pode se tornar símbolo da luta antimanicomial
Representantes do Espaço Comum Luiz Estrela que ocupam um casarão da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), no bairro Santa Efigênia, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, pretendem transformar o local em um centro de atividades culturais para crianças e adolescentes com sofrimento mental. A ideia foi apresentada a representantes do governo de Minas ontem na primeira reunião de negociação para solucionar o impasse em torno do imóvel. A proposta surgiu depois que o grupo fez o levantamento histórico do casarão e descobriu que lá funcionou um hospital de neuropsiquiatria infantil, entre 1947 e 1977. Com essa informação, a ideia inicial de fazer do local uma área de fomento de diversas atividades culturais ficou em segundo plano. O porta-voz da ocupação Luiz Estrela, Victor Muniz, afirma que essa é uma forma de preservar não somente o edifício, mas a história imaterial do local. “Esse local recebia internações de crianças com problemas mentais e utilizava como métodos de tratamento choques elétricos e altas doses de sedativos, o que era comum naquela época. Reverter esse espaço ao serviço à criança com sofrimento mental é manter a memória do que ocorreu no imóvel e reforçar a luta antimanicomial”. Atualmente, a casa está cedida à Fundação Educacional Lucas Machado( Feluma), mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas e que pretende implantar um memorial em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek. Na reunião de ontem, os membros da ocupação reivindicaram ao governo o fim da cessão do espaço à Feluma, que, segundo eles, não teria realizado obras prometidas para o local. Eles também pediram autorização para fazer com recursos próprios obras emergenciais para sanar os problemas de estrutura. Já a assessor do governo para promoção, parceria e articulação social, Ronaldo Pedrom, afirmou que as propostas serão estudadas. “O importante é que foi aberto o diálogo aqui, e que as propostas serão estudas para que possamos achar a melhor solução para aquele espaço público”, disse. Nova rodada. Ficou agendada uma nova reunião para o próximo dia 19, quando os integrantes do Espaço Comum Luiz Estrela terão que apresentar detalhadamente as propostas. Nessa data, o governo do Estado deve apresentar as respostas para as reivindicações apresentadas. História do casarão 1913. O casarão na rua Manaus, 348, é construído e faz parte das instalações do Hospital Militar. 1933  . Então médico, Juscelino Kubitschek presta serviços no hospital. 1947. O Hospital Militar muda de imóvel, e o casarão passa a abrigar o Hospital de Neuropsiquiatria Infantil. 1968. O imóvel passa a pertencer à Fundação Estadual de Assistência Psiquiátrica. 1977 . Prédio é repassado à Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) e transformado em uma escola para crianças com necessidades especiais. 1994.  A escola é fechada, e o imóvel fica vazio desde então. 2007. A Fhemig anuncia o projeto da construção do Núcleo de Ação Cultural, Educacional e de Inclusão Social (Naceis) no imóvel, que pretende oferecer oficinas artísticas para pacientes do Centro Psíquico da Adolescência e Infância (Ceapi). Porém, a proposta não avançou. Jul 2013. É firmado o termo de cessão do imóvel à mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas que pretende criar um memorial em homenagem a JK. Out 2013.  Um grupo ligado à área cultural ocupa o casarão e se recusa a sair mesmo com ordem de reintegração de posse. Licitação Concorrência De acordo com os integrantes da ocupação Luiz Estrela, o casarão foi cedido de forma irregular, pois havia outras propostas para o imóvel, e, nesse caso, seria necessária licitação.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave