Venda de panos de chão toma conta de todos os semáforos

Vendedores jamais dizem a origem de seus produtos e são alvo de fiscalização. Vendedores jamais dizem a origem de seus produtos e são alvo de fiscalização

iG Minas Gerais | Jáder Rezende |

PEDRO GONTIJO / O TEMPO
Conceição dos Santos chegou a perder 400 panos por causa da fiscalização de agentes da prefeitura
Eles estão em cada esquina, sobrevivem da informalidade e fazem a alegria das donas de casa. São os vendedores ambulantes de pano de chão, que ganham cada vez mais as ruas da cidade, mas jamais revelam a origem de seus produtos, peças indispensáveis em todos os lares. Nas mãos dos ambulantes, o preço desse item chega a custar até 150% menos, em relação aos expostos em gôndolas de supermercados. Para os produtores que atuam na legalidade, a concorrência desleal afeta toda a cadeia produtiva. No cruzamento das avenidas David Sarnoff e Babita Camargos, no bairro Cidade Industrial, em Contagem, o ambulante Geraldo de Oliveira, 49, ganha a vida vendendo panos de chão, frutas e cofrinhos de barro há 20 anos. Ele revela que chega a faturar R$ 2.000 por mês somente com a sacaria. Por semana, ele compra pelo menos três fardos com 200 unidades. Na rua, afirma ele, pratica o “preço da praça”, comercializando cinco unidades a R$ 10. “É preciso acompanhar o preço que a maioria pratica, senão a gente não vende nada. O que não falta na praça é concorrência”, diz. Na Via Expressa com avenida Tereza Cristina, no bairro Carlos Prates, na região Noroeste de Belo Horizonte, o movimento de camelôs oferecendo toda sorte de produtos também é intenso. É lá que a dona de casa Eliete dos Santos, 55, aborda motoristas para oferecer o mesmo produto. “As vezes nem é preciso oferecer. A maioria mal para e já vai chamando a gente”, conta Eliete, que diz faturar, em média, R$ 170 por dia. “Ganho R$ 4 em cada kit com cinco panos. Pago R$ 6 e vendo por R$ 10. É um bom negócio, mas a gente vive apreensiva com a fiscalização”, revela. Assim como o seu Geraldo, dona Eliete afirma não saber a origem de seu ganha-pão. “Se soubesse, não comprava de atravessadores, pagava mais barato ainda na fonte”, diz. Com a venda de panos de chão ela garante renda mensal de R$ 1.400, “o suficiente para manter a casa e não passar fome”. Outro ponto disputado entre os vendedores de panos de chão é a movimentada esquina da avenida Amazonas com rua Gonçalves Dias, no bairro Santo Agostinho, na zona Sul da capital, onde, há seis meses, Conceição dos Santos, 50, chama a atenção de motoristas e pedestres. Mesmo tendo sido flagrada pela fiscalização da prefeitura e perdido 400 unidades, Conceição dos Santos não arredou o pé do lugar. “Aqui a concorrência é grande, mas, com muita fé, dá pra voltar pra casa com um bom dinheiro”, afirma. Compare R$ 5  é o preço médio de um pano de chão em supermercados R$ 10  é quanto custam cinco panos nas ruas da Grande BH 150%  é a variação de preço entre camelôs e comerciantes

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