"Ídolos servem como espelho aos jovens"

iG Minas Gerais |

Como aconteceu a ida de você e sua família do Nordeste para Curitiba? Estamos na capital paranaense há 18 anos. Alguns tios moravam em Curitiba e viemos para buscar melhores condições. Meu pai trabalhava na roça. Assim que chegou na cidade, conseguiu um emprego em uma academia de tênis. E ali você começou a jogar? Exatamente. Meu irmão mais velho que começou a jogar com mais frequência e eu gostava muito de vê-lo em quadra. No começo, eu apenas ajudava recolhendo as bolas e dando um complemento para a renda. Eu estudava de manhã e ia para a academia de tênis na parte da tarde. Mas, aos poucos, comecei a gostar. Quando você viu que poderia levar o tênis a sério? Foi com 14 anos. No começo, era tudo uma brincadeira. Quando cheguei em Curitiba, nem sabia o que era tênis. Mas comecei a ter bons resultados e vi que era isso que queria para a minha vida. Vi que o esporte poderia fazer com que eu ajudasse minha família. Quem teve papel importante na sua evolução? A minha família, claro, tem um papel de destaque. Mas o meu primeiro técnico, o Didier Rayon, teve grande influência no meu desenvolvimento. Eu passava mais tempo com ele do que com minha família. Até hoje eu o considero como um segundo pai. Aprendi muitas coisas com ele, do tênis e da vida. Durante nossa chegada a Curitiba, ele ajudou minha família como podia, sem esperar nada em troca. Fez tudo de coração mesmo. Ele não é mais meu treinador, mas nosso contato permanece. Sempre que dá, ele aparece para ver meus treinos. É um grande amigo. Acha que sua história no tênis é diferente da maioria dos atletas? Acho sim. Muitos vêm de famílias mais bem favorecidas. No meu caso, foi tudo muito diferente. Qual foi o momento mais difícil da sua carreira até hoje? Quando tinha 19 anos, cheguei a ser a número 196 do mundo, uma posição boa para alguém nesta idade. Mas tive uma série de lesões no ombro e joelho e perdi tudo aquilo que havia conquistado com muito esforço. Fiquei sem patrocínio, mas pude contar com ajuda de muitas pessoas da academia, que me ajudavam como podiam, inclusive financeiramente. Até hoje, algumas dessas pessoas dão um suporte importante, mesmo com os patrocínios que tenho. Elas foram fundamentais para que eu voltasse a participar de torneios. Cheguei até a fazer rifa para poder jogar. Onde você pretende chegar na carreira? Quero subir degraus mais altos, a cada ano. Para 2013, a minha meta era de ficar entre as 120 ou 110 melhores do mundo e consegui entrar no top 100, ser a número 87. Foi uma grande conquista. Para o ano que vem, quero participar de todos os torneios Grand Slams. A minha atual posição no ranking pode ajudar para que isso aconteça. Acredita que você pode ser uma referência para futuras atletas profissionais do Brasil? Acho que sim. Existe uma certa pressão nisso, mas levo da melhor forma. A presença de um ídolo é muito importante para puxar atletas mais jovens, motivá-los a persistir. O Guga foi um ótimo exemplo. Mas, para chegar ao sucesso, é preciso muito treino e dedicação. Isso faz mais diferença do que a presença de patrocinadores.  Seu pai hoje constrói quadras de tênis em todo o Brasil. Sua história de sucesso também tem um paralelo com a trajetória dele? Com certeza. Ele é um espelho para todos nós. Ele teve muita coragem em trazer todos nós para Curitiba, onde começamos do zero. No início, ele fazia manutenção das quadras, passou para serviços do bar da academia e hoje tem sua própria empresa. Ele é um verdadeiro exemplo para nossa família.

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